9 de out de 2017

Arte e Censura

Eu me dispo de todo o julgamento ignóbil e insano,
de todo o ódio barato,
toda a ignorância violenta,
falsa sabedoria,
moral construído sobre castelos de areia, 
E da fé infame, que não respeita.
Eu me dispo de tudo o que me habita
e que me chega do outro.
Sou livre!
E minha inefável vestimenta é tecida com LIBERDADE!
Viva a mãe que vai para a direita!
Viva a mãe que vai para a esquerda!
Direção não importa, há muitos caminhos
e todos são do mapa.
Viva o Cristo diferente:
o desenho dele não vai mudá-Lo!
Que venha um Censor e muitos ativistas...
"artivistas" e artes vistas.
Temos muitos doutores...
mas poucos se salvam de si mesmos.
(Cíça Mora)


18 de abr de 2013

Bordando os 53 anos de Brasília





Hoje eu me dei conta de que tenho a mesma idade da capital de meu país de origem. 
Brasília nasceu em 1960, e eu também.
"Brasília" rima com "Cecília".
Brasília tem acento agudo, Cecília também.
Brasília vem de Brasil, Cecília vem do Brasil.
Brasília começa com B, Cecília começa com C.
De 1960 para cá, Brasília cresceu muito.
Cecília também.
Na década de 40 entramos no "enta": enquanto Getúlio Vargas arrebenta, Adolf Hitler torna a História sangrenta...
E a Cecília, pinta com magenta!
Hoje, depois dos 50, Brasília pulsa imponente, e Cecília, ardentemente.
53 para Brasília.
53 para Cecília.
Brasília se liga na mobília e Cecília na família, na Emília, na Lucília, na Marília, na Otília...
Brasília vê políticos e Cecília vê bandidos.
Faturamentos para eles, pensamentos para ela.
Periferias pobres não rimam com galerias nobres!

16 de abr de 2013

15/04/2013 - Bordando os atentados a Boston.





Bomba me lembra bola




Gostaria que todas as bombas fossem construídas não para a destruição, mas para a explosão de coisas boas!
Que elas pudessem explodir em bolhas de alegria incontida!
Ou que se tornassem bolhas de alimentos, para sanar a fome mundial!
Que elas pudessem ser bolhas de paz!
Ou bolhas que explodissem em bons hospitais, para sanar a saúde de todos os enfermos...
Que elas pudessem ser bolhas educativas, para que mais nenhuma criança aluna se tornasse um adulto sandeu, idiota o suficiente para plantar bombas e terror!
Que as bombas pudessem ser bolhas bordadas!
Assim como estas, que fiz ontem, ao saber do atentado:


Se o ser humano se sentasse 1 hora por dia para bordar e pudesse compreender o que é paz, tranquilidade, beleza, harmonia, muito dificilmente ele teria tempo para fabricar tristezas como o simples ato de provocar o estouro de uma bomba, com todas as consequências maléficas que ela traz junto!
Acho que vou me candidatar à presidência da república. E não serei democrática.
Votem em mim para presidenta. Em meu plano de governo, vou obrigar o bordado em todas as penitenciárias; vou cobrar apenas metade dos importos de todas as empresas que obrigarem seus funcionários a bordarem uma hora por dia, antes de iniciar seu trabalho; vou colocar o bordado como matéria escolar, e obrigar o aluno a passar com nota dez; nas universidades, os formandos que não souberem fazer um lindo bordado, não poderão atuar profissionalmente; serão criados vários Museus de Bordado por todo o país e toda a população será obrigada a visitá-lo no mínimo uma vez por mês; vou institucionalizar mais um número de identidade: o número do brasileiro bordadeiro! E muitas coisas mais!
Quem sabe assim, consigo fazer com que  as  pessoas parem de pensar na importância desimportante de todas as desiqualdades... de todo o separatismo... de toda a guerra e poder iníquo!
Vamos nos tornar pessoas melhores?
Seria bom para todos, sem exceção.
Pois então, bordemos!
BOOOM!







14 de abr de 2013

Mostra "FRAGMENTOS"...  uma redescoberta !


Fazer uma Mostra individual é sonho de alguns artistas.

Seu ego é massageado, seu trabalho é visto e fecha-se o ciclo que começa com a concepção da sua obra e acaba na existência dela, na materialização de uma ideia que passa, então, a ocupar espaço físico no mundo.

Quanto mais eu exponho, e digo isso como curadora e anartista, mais vejo o quanto é importante quando a pessoa que vê a obra, saiba mais acerca dela.

O conceito. O óbvio. A essência inesgotável. O inescrutável.

Muitos artistas criam e largam suas obras aos que as visitam. Mesmo porque, fica difícil estar ali, o tempo todo, e às vezes, até impossível.

Mas eu percebo o quanto é mágico o conceito e sua voz, que canta como música aos ouvidos daqueles olhos que prescrutam,  como foi produzir intelectual e experimentalmente aquilo que estão a apreciar.

... isso faz com que eles permaneçam por mais tempo na exposição, que olhem com mais  cuidado, apreciando mais.

Não propriamente os trabalhos em si, mas a Arte que emana deles.

O visitante sabe que o artista é um cabalista, alguém que recebe inspiração divina e que consegue expressá-la.

E então, numa exposição interativa, visitante e artista se tornam um, pois sendo a Arte inerente a todos, mesmo que nem todos consigam expressá-la, quem consegue entender todo este processo fica suscetível a este elo, que se cria natural e imperceptivelmente, tornando tudo feliz: aquele momento, aquelas pessoas, aquelas obras...

Quando o artista está misturado com os trabalhos expostos e chega junto com eles ao coração do visitante, ele consegue uma comunicação.

E essa comunicação, uma necessidade do ser humano tanto quanto a Arte, educa, inspira.

É isso que significa o Educativo das Bienais que acontecem em São Paulo, por exemplo.

Muita gente olha os trabalhos expostos pelo grande salão e, na maioria das vezes,  não entende o que eles significam, e nem o que seus criadores quiseram dizer.

O Educativo, então, pega o público pelas mãos e diz sobre um determinado artista e sua respectiva obra: 

ele quis dizer isto
ou... 
ele quis dizer isto? 
ou...
O que acham que ele quis dizer? 
ou...
Acham que devem achar o que ele quis dizer? 
ou...
Acham que devem dizer o que acham que ele quis dizer?

E assim, o povo consegue chegar perto daquilo que foi o "momento de criação". 
Ou não! 
Talvez criem esse momento em si mesmos, e marquem essa obra em sua memória de forma que ela permaneça ali, por muito tempo, pois ficará segundo seu próprio olhar... 

Quando chegamos perto daquilo que o artista quis dizer, entendemos melhor o que está sendo proposto ali.

Explicar o meu trabalho é uma questão fundamental para mim. 

Porque, feliz ou infelizmente, eu sou artista de mim mesma. 

Tudo o que eu expresso faz parte da minha busca interior.

E da minha trajetória.

E de como eu vejo as coisas, um olhar extremamente particular e individual.

Um olhar que eu chamaria de digital, para fazer você pensar nas digitais de seus dedos, mas que não vou falar por estarmos em uma era digital e por entender que você pode ser levado a uma pequena confusão que apagaria a ideia principal do sentido que quis dar...

Se eu não explicar minha obra, como poderão saber o que eu quis dizer?

Preciso dizer!

Senão, meu grito fica perdido num Universo sem fim, num silêncio infinito, num vácuo repleto apenas de breu, e nada, e nem ninguém, vai tomar conhecimento disto.

Mas... será que podem saber?

E será que eu realmente quis dizer aquilo?

E será que eu sempre vou pensar aquilo daquela forma? E se eu mudar?

Cada explicação minha, de minha obra, é como se fosse a alma de cada uma delas. 

Inerente a elas.

Mas estou me desapegando disso...

Quando eu bordo eu transbordo.

E como a própria palavra já diz, eu deixo de me conter e de caber em mim mesma para me derramar para o mundo, me expondo, expondo o meu eu, o meu interior.

Mas dizem que só mostramos o que queremos que os outros vejam. Seria verdade? Vou bordar esta minha curiosidade!

Devassar o interior, a essência. Assim é quem cria.
Assim sou eu.
Assim deve ser o artista.

Deve?

E se assim deve ser o artista, e se assim sou eu, então, mesmo quando paira a dúvida: "será que sou mesmo artista"? ... a resposta me aparece desnudada, desvelada como os véus sobre as mulheres de Mondigliane: sim, eu sou artista

E isto me alegra, preenche e orgulha mais que os resultados de minhas obras.

Essa simples constatação, que tem de reacontecer todos os dias, sustenta meu laço com o divino.

E cada briga interior entre o céu ou a terra, entre o voar ou permanecer com os pés no chão, entre o mostrar ou o esconder-me e entre todos os contrastes que se confrontam interna e diariamente em meu ser, me inspira e me faz criar.

Eu e minha obra = eu, falando com meus demônios e mostrando minhas conversas interiores publicamente, através dos meus transbordamentos bordados.

Isso é exposição.

Nos dois sentidos.

Isso é Mostra.

Mostrar-se nos dois sentidos.

Isso foi esta Mostra "Fragmentos", onde expus fragmentos de todas estas minhas conversas interiores.

E o público, na medida em que eu pude estar presente e explicar sobre cada obra, agradece

E eu também agradeço pela catarse e pelo agradecimento deles.

Minha obra é minha contribuição para mudar os olhos dos que olham a Arte através de mim...

Minha obra é uma contribuição para mudar meus olhos, que olham a Arte que sai de mim...

Minha obra é uma contribuição para mudar a Arte, que olha a mim e aos olhos que me olham...

Este é o Educativo que ofereci, mesmo que tenha sido apenas um fragmento fragmentado da Mostra "Fragmentos", que fragmentou o olhar fragmentante de quem vê e não entende nada!

Fragmentos de mim...

Fragmentos da vida...

Fragmentos de quem cria, de quem aprecia...

Fragmentos do tempo, soltos ao vento, no tempo...


12 de abr de 2013

Mostra "FRAGMENTOS"



Fui convidada pela WR São Paulo para levar uma Mostra com trabalhos meus no 7ª Brazil Patchwork Show.
O convite foi formalizado e aceito um mês antes e eu tive de correr.
Parei com as minhas curadorias recentemente, e como não daria para apresentar uma Mostra apenas com trabalhos  inéditos num espaço de 32m², reuni alguns dos meus ensaios que estavam quase prontos em meu atelier. 
Coisas pequenas, bordadinhos, uma coisinha aqui, outra ali... trabalhinhos que esperavam por um acabamento, um quilt, uma borda... aí mandei emoldurar tudo. 
Então, pequenos pedaços acabaram virando uma Mostra. 
Daí o nome "fragmentos".
Em se tratando de uma feira de patchwork, achei que os visitantes pudessem não gostar tanto de ver minhas "viagens" com linhas e fios nos paninhos. 
Mas tive uma grande e grata surpresa ao ver o interesse e encantamento nas pessoas, quando estavam na frente dos meus trabalhos.
Foi uma das experiências mais ricas que já tive como artista e saí de lá, depois de 4 dias, com gostinho de "quero mais"! Rs...
Abaixo, fotos dos trabalhos que apresentei.


































Este foi o meu livro de presenças. 
A capa é um mixed media, uma tendência que chegou forte, e que se caracteriza pela mistura de técnicas, de materiais, de diversos segmentos da arte.
 Para mim é um fake. Rs... 
Porque prefiro sempre prender tudo com costura, e essa é uma colagem. 
Mas foi legal. 
Fiz em 10 minutos e foi muito divertido. 



Obra: A LETRA "C" TEM MEU NOME

Obra: JASMIM, VIOLETA, PITOCO E PITANGA


Obra: PEDRAS DO MEU CAMINHAR

Obra: OURO TUPINAMBÁ

Obra: AS ROSAS NÃO FALAM






Obra: ALFAMA DE LISBOA


Obra: O JARDIM DA MINHA INFÂNCIA


Obra: SARAGOÇA ORNAMENTADA DE BRICABRAQUE





Obra: AZUL OCULTO

Obra: ENTRELASEDANDO


   
Obra: OS CHAZINHOS DA VOVÓ

Obra: A COR ROXA


















Obra: GIRAGOGS








Uma das minhas homenagens à Singer do Brasil


Na era das macro obras, resolvi antagonizar com este micro trabalho. 
Comprei esta meada de bordar da DMC 
que achei lindamente matizada e fiz tricô com ela. 
Com os seis fios. 
As agulhas foram feitas com dois palitos de dentes 
fechados na ponta com uma conta. 
Teci o tricô no palito de dentes. 
Foi uma experiência bem legal!

Obra: PARAFRASEANDO POLLOCK



Obra: CACHORRED, releitura do pintor brasileiro Gustavo Rosa

Obra: "ARVORAR"

Este trabalho tem 3m de largura. 
Foi encomendado por Rita Paiva 
para as comemorações de 10 anos 
da Semana Senac de Patchwork
organizada pelo Senac 
e pelo Sr. Fernando Malluhy
Houveram duas temáticas: 
Os céus do Brasil 
e esta, que escolhi: as flores que caem do céu. 

O trabalho foi feito nos tecidos da Telanipo 
para mostrarem como é importante 
a presença dos concorrentes num mesmo evento, 
trabalhando juntos e sempre no sentido de evolução do segmento. 

Foi composto por material reciclado: 
restos de flores desfeitas, que reconstruí; 
restos de linhas usadas na confecção de ècharps; 
restos de mangas de blusas descartadas por confecções 
e restos de tecidos cortados à laser, usados também em confecção. 

As cores foram uma homenagem à Gláucia Lanzellotti
já que acabara de fazer um curso rápido com ela sobre isso. 

O trabalho foi quiltado à máquina e tem bordados à mão. 

E a coisa mais emocionante da história deste trabalho 
é que, 
ao ser exposto na Mega Artesanal de 2012, 
ele seguiu de lá de para uma instituição 
que trabalha com pessoas de 4 a 86 anos 
com debilidade mental. 
Através das texturas deste trabalho, 
eles puderam aprender sobre cores: 
que vermelho com amarelo dá laranja, 
em uma de suas atividades artísticas, 
trabalhadas pelos profissionais de lá.
Este trabalho foi colocado 
na porta de entrada e saída do evento, 
o que muito me honrou.

Obra 1: ZÍNGARA    Obra 2: ROXO

Obra 1: AZUL    Obra 2: TUDO AZUL!


Estes 4 trabalhos acima foram feitos depois do "ARVORAR". 


Gostei da idéia de conffettar (técnica do confetti) tecido e resolvi fazer este com as lãs de efeito que eu gosto de trabalhar. 

Coloquei os 4 na minha mesa e fui construindo um a um.


Primeiro picando as lãs e as agrupando com as cores que eu queria, depois quiltando e, por fim, fazendo com que cada um fosse algo diferente, cada um com sua identidade.
 






Obra: O CAVALO DO MEU PRÍNCIPE









Obra 1: LOIRINHA MENININHA, releitura da obra de Renoir 
Obra 2: EU VI UM PASSARINHO AZUL, releitura do pintor brasileiro Adélio Sarro.


Aqui, na parte de cima do cubo, viradas para o teto, a obra: ATLÂNTIDA 
 e a máquina de costura CONFIDENCE,  da Singer, 
a qual uso para  fazer os meus trabalhos, 
quando eles não são feitos à mão. 
Ganhei esta máquina da Milena
que me deu depois da sugestão de Suely
e foi um presente generoso e muito útil. 

Expor a máquina e indicá-la é parte da primeira 
das muitas homenagens que quero render à Singer, 
em forma de agradecimento.

A outra parte de minha homenagem 

foi apresentar em minha Mostra 
um quadrinho bordado à mão, 
que menciona a máquina, 
e que pode ser revisto abaixo:


O meu "obrigada" à WR São Paulo 
e toda a sua equipe, 
a todos que compartilharam comigo mais estas emoções, 
às amigas sempre presentes 
e às pessoas que foram ao evento,
especialmente para ver o meu trabalho. 

Minha gratidão eterna.
bjbb