8 de mar de 2019

Dias Mulheres Virão! Viva 8 de março de 2019!


Sobre os avanços das políticas públicas em prol das mulheres, foram os governos do PT que colocaram, efetivamente, as mulheres no orçamento da União.  
500 anos de escravidão feminina foram trabalhados nos 13 anos do governo do PT, no sentido de mudar essa realidade, apenas atuando no sentido de assegurar os direitos das pessoas, o que invertia a ordem de importância política até então. 
Muitos avanços foram conseguidos a partir do momento em que pessoas dedicadas assumiram a igualdade entre homens e mulheres como política pública, dando centralidade a essa luta. 
Nestes 13 anos de governo a mulher negra conseguiu entender o que significava a “dignidade”, até então desconhecida. 
No início do seu governo, Lula instituiu a Secretaria de Política para as Mulheres, com status de Ministério e de nobreza política às questões femininas. 
Havia um orçamento com recursos anuais consideráveis em prol de causas femininas que precisavam ser tratadas senão com mais importância, pelo menos com importância igual às demais, dada a sua relevância. 
O governo Dilma foi o de maior representatividade no sentido de alavancar os direitos das mulheres. 
Em seu governo atuaram 13 mulheres foram colocadas à frente dos Ministérios. 
Um número nunca visto anteriormente, no Brasil. 
E elas trabalharam em frentes estratégicas voltadas para a inclusão e proteção social
Foi no governo de Dilma Russeff, a primeira presidenta brasileira, que foi institucionalizada a Lei Maria da Penha, em 2006, que criminaliza a violência doméstica. 
Essa lei é um marco, por ter definido a violência doméstica que ocorre em âmbito familiar como crime.
Nos governos do PT a mulher foi tratada como tema central e teve papel fundamental nas políticas públicas sociais e na área dos direitos humanos.
Em 2007 foi institucionalizada a lei do feminicídio, outro grande avanço no sentido da proteção das mulheres contra o patriarcalismo e a misoginia. 
Também houve avanço significativo, ainda nos governos do PT, garantindo a denúncia contra a mulher, no 0800. 
Essas mudanças, somadas a uma integração entre diferentes instâncias do Ministério Público com o Judiciário promoveram a proteção e também a reintegração da mulher vítima de violência, principalmente a doméstica. 
Sabe-se que a violência contra a mulher é sobretudo doméstica, e isso sinaliza uma característica das relações privadas na sociedade brasileira, predominantemente patriarcal, na qual a mulher é uma espécie de bem do patriarca: seu marido ou agente mais próximo de sua relação afetiva. 
Nascer feminina já significa vestir a pele de um gênero especificamente frágil, fraco e desimportante, características que, por si só, desqualificam a mulher para atuar em determinadas funções.
Tudo isso foi construído ao longo da história da humanidade. 
No Brasil o papel da mulher no núcleo familiar é muito importante, quando não é o principal. 
Por esta razão o projeto político social denominado Bolsa Família foi e continua sendo extremamente importante. 
O programa busca garantir a esssas famílias o direito à alimentação e o acesso à educação e à saúde.
Através dele a mulher, quem conduz este programa, é reconhecida como agente social fundamental, por sua liderança e atuação: o cartão vem no nome dela. Ela recebe o dinheiro. Ela faz as compras. Ela escolhe o melhor a comprar.
Estratégias do programa visando o empoderamento da mulher.
Tudo pensado para melhorar a vida destas heroínas que cuidam da casa, dos filhos e que procuravam um pouquinho só de dignidade, sem saber que tinham direito a ela.
O projeto Minha Casa, Minha Vida, foi outro projeto extremamente importante para a mudança do papel social da mulher. 
No patriarcalismo a propriedade da casa é sempre do homem. E em muitas casas, quando a mulher precisava se separar do marido tinha de deixar a casa e ir embora. Ninguém lhe garantia nada, nenhum direito.
Este projeto, Minha Casa, Minha Vida, muda isso ao conceder e legitimar a titularidade da propriedade da casa à mulher. 
A mulher negra, aqui no Brasil, é especialmente segregada, discriminada e “objeto” de violência, dada a nossa história, que evoluiu de uma sociedade escravocrata. 
Quando ela nasce e veste a pele preta, ela já vem com a etiqueta de “objeto sexual”, pois por mais de 300 anos seus corpos foram usados para o deleite sexual de seus senhores.
Não há como enfrentar a desigualdade social de gêneros se a mulher continuar dependente daquilo que o homem ganha. 
Por esta razão, todas as políticas públicas e os programas que favorecem a igualdade de direitos entre homens e mulheres e proporcionam às mulheres a autonomia financeira que precisam para cuidarem de seus filhos e da casa contribuem com o avanço do papel da mulher na sociedade como um todo e a própria sociedade evolui. 
Porque a sociedade evolui junto? 
Porque a mulher está intimamente ligada a todas as pessoas que convivem socialmente. 
Nos 13 anos de governo o presidente Lula focou no desenvolvimento social e ninguém pode negar o quanto isso mudou a realidade brasileira, para melhor. 
Ele conseguiu conjugar desenvolvimento econômico com inclusão social. 
Quando Dilma entrou para a presidência, os projetos sociais com foco na mulher continuaram e se aprofundaram, em vista da identidade da presidenta com os programas, afinal, ela é uma mulher. 
Foi no governo de Dilma, também, que foram trabalhadas políticas públicas voltadas à violência de idosos e, principalmente, da mulher idosa, que sofria maus tratos dentro de casa, em instituições e na própria sociedade. 
Dilma Roussef, ex-presidenta do país, sofreu um golpe. 
Em seu lugar, assumiu o governo ilegítimo de Temer, que vei junto com um pacote composto de homens, velhos e ricos. 
E isso perdura no governo atual.
E desde então, nenhuma dessas políticas públicas foram continuadas.
Benedita da Silva foi a primeira Ministra de Estado brasileira, atuando no Ministério do Desenvolvimento Social do Combate à Fome, no governo Dilma.
No governo Bolsonaro o número de feminicídio aumentou consideravelmente. 
Porque é um governo onde se tem permissão para matar, é machista e todo o progresso conquistado com muita luta em prol das mulheres e seus direitos, foi abandonado pela política vigente, que coloca a mulher em segundo plano, de volta no centro da família como objeto e desprovida de igualdade de direitos, sem nenhuma proteção e sem nenhuma garantia. 
Isso pode soar estranho para as famílias onde reina a paz. 
Mas em famílias onde as diferenças sociais fazem aumentar as desigualdades de gênero, a mulher é sempre a maior vítima.
Somos um país onde há a cultura do estupro. 
E o mesmo país não ampara, mas abandona ao léu suas vítimas: as mulheres.
A PEC das trabalhadoras domésticas, em 2014, no governo Dilma, igualou os direitos de todas estas trabalhadoras aos demais trabalhadores em todo o país, direitos que vigoravam na CLT. 
Hoje isso perdeu o valor porque a CLT já não vigora mais, segundo proposta do atual governo de Bolsonaro. 
Parece coisa sem importância, mas essa PEC estabelecia o fim da escravidão dentro das nossas próprias casas. 
Porque a grande maioria das trabalhadoras domésticas são mulheres negras e essa função, inclusive, passa de mãe para filha, gerações e gerações, numa espécie de submissão hereditária dessas mulheres à sociedade que sempre lhes negaram direitos iguais. 
Tudo isso, que já havia avançado e progredido no sentido de empoderar essa trabalhadora voltou, neste governo, à estaca zero.
Marielle Franco, mulher, negra e deputada foi morta barbaramente, juntamente com seu motorista. 
Até hoje sua morte não foi esclarecida porque o Ministério da Justiça está nas mãos de um governo de retrocesso, de extrema direita, que lhe nega esse direito. 
Marielle marca uma época atual, dramática, da mulher brasileira, porque não há mais aonde ela possa recorrer. 
Não há mais com quem ela possa reclamar.
No Rio de Janeiro, uma mulher foi espancada por 4 homens durante 4 horas. 
4 longas horas.
Normalmente escutamos estas notícias e elas nos passam longe. 
Não costumamos imaginar e refletir como deve ter sido para esta mulher essa agressão desumana. 
Podemos querer ver essas coisas absurdas longe de nós, e pensarmos “o problema não é meu! Não sou eu quem está apanhando. Já tenho problemas demais para resolver. Ela que resolva os problemas dela! ” 
E se você, que está lendo este texto, pensar exatamente assim, pode estar se tornando uma pessoa desumana. 
Ou vc pode, por empatia, imaginar que, se um simples bofetão no rosto pode parecer uma eternidade para quem é agredido, imaginem 4 horas seguidas e 4 agressores desumanos fazendo com o corpo dessa mulher todo o tipo de atrocidades, sem que ela tenha a ajuda de absolutamente ninguém! 
E desta forma, reconhecer nas pessoas que trabalham em prol dessa mulher e de outras vítimas como ela como legítimos representantes da nossa sociedade faz-se, no mínimo, necessário.
Não se trata de ser de PT ou de não ser. 
Pessoas são mais importantes que partidos.
Mas pessoas idealistas são importantes para os partidos.
Em todos eles há gente séria trabalhando com amor e altruísmo. 
Temos de guardar nossa ignorância no bolso, baixarmos a guarda da nossa prepotência e tirar o chapéu para quem defende o que deveríamos defender, mas nos esquecemos, em vista da nossa vida atribulada... 
O retrocesso brasileiro depois do golpe e da posse de Temer é uma infelicidade em nossa história.
Mas é preciso comemorar uma coisa que vem crescendo no mundo todo: a resistência das mulheres. 
Existem pessoas e organizações que trabalham com a somatória de bons projetos, estratégicos demais no momento histórico em que vivemos, onde a mesa foi virada e a mulher foi empoderada e tudo isso foi sequestrado em nome dos interesses pessoais de poucos que detêm o poder. 
Hoje, em muitos países do mundo, aconteceu a marcha da mulher. 
Um dia em que a mulher foi para as ruas, lutar por seus direitos e pela permanência das poucas e transformadoras conquistas.
A democracia em nosso país precisa ser restabelecida. 
Segundo declaração do nosso próprio presidente, ela também foi sequestrada.
E com ela, o respeito entre os cidadãos.
Armar as pessoas significa oferecer a morte a elas, sem que tenham direito à legítima defesa. 
Principalmente quando se tratam de pessoas pobres, mulheres e desfavorecidos, vítimas da desigualdade.
É preciso acabar com o sucateamento das universidades, hospitais, delegacias e dos programas sociais.
É preciso acabar com a nossa submissão cega aos EUA e com a condição que eles imaginam para nós, de nos tornarmos um agro país que utiliza seus agrotóxicos que nos envenenam, ao mesmo tempo que levam todas as nossas riquezas naturais.
A precarização violenta do trabalho, agora, aqui no Brasil, é um grade projeto americano de colonização do nosso país.
E tudo isso acontece com o aval do antigo presidente Temer e do atual presidente Bolsonaro.
Agora, aqui no Brasil, investigações e a justiça voltaram a fluir ao sabor daqueles que controlam o poder. 
Este governo que aí está não destrói apenas as políticas públicas e avanços do governo anterior (PT), mas tudo o que foi construído por outros governos anteriores, adquiridos como direitos e progresso desde a década de 80. 
O presidente incita seus eleitores à violência e tenta institucionalizar a supremacia de classes, gênero, de status.
No começo de março a OAS declarou que pagou 6 milhões pro Lula ir pra cadeia.
E mesmo assim, ele continua preso.
Todo o país perde com a prisão de Lula. 
É um grande escândalo um juiz que condena Lula ao cárcere e ao isolamento, se tornar Ministro do governo que o prendeu.
A elite escravocrata brasileira precisa ser denunciada.
A gente não pode deixar este estado falimentar de coisas persistir.
Precisamos lutar pela volta da democracia, pelos direitos das pessoas, e pela verdade. 
pela verdade!
Precisamos voltar a ter esperança e acreditarmos. 
Resistirmos!
Precisamos ser movidos pela força da luta e pelo amor que temos em nosso país.
Meu texto é para todas as mulheres.
Principalmente aquelas que pensam como eu e que se dedicam, de alguma forma, a algumtipo de transformação social.
Também escrevo para todos que reconhecem a importância social e transformadora da mulher.
Principalmente aqui no Brasil.
Dedico este texto, também, à Marielle, símbolo da mulher brasileira que sofre violência por ser mulher, negra e que luta por políticas sociais justas.
Luto, luta e vitória.
Que ecoem os gritos femininos.

25 de fev de 2019

SER HONESTO

Em um mundo de mentiras sistêmicas
evoluímos do 'urgência urgentíssima'
para o 'verdade verdadeira'.
Hoje, a verdade surge
sob o véu da semântica,
no intuito de desnortear as análises
que poderiam ser fundamentadas
em sentidos dignos e honrados.
Histerias dos "doutores" virtuais
em "serem contra" tudo
o que nem ao menos conhecem
favorecem esse caos.
E na esfera desse estado,
desordenado, desarmônico e confuso,
surge o artista!
Ele faz bem ao mundo!
Traz consigo sua obra,
em toda a sua polissemia.
E dentro da multiplicidade
de sentidos dela,
o artista assume um papel antagônico,
que vai, concomitantemente,
de terrorista a herói.
E isso tanto faz.
Porque a existência de sua obra
é fato,
mentiroso ou verdadeiro,
que, acima de seu propósito,
Existe!
Desta forma,
ninguém pode negar
sua existência:
nem a do artista
nem muito menos a da obra!
Cíça Mora

9 de out de 2017

Arte e Censura

Eu me dispo de todo o julgamento ignóbil e insano,
de todo o ódio barato,
toda a ignorância violenta,
falsa sabedoria,
moral construído sobre castelos de areia, 
E da fé infame, que não respeita.
Eu me dispo de tudo o que me habita
e que me chega do outro.
Sou livre!
E minha inefável vestimenta é tecida com LIBERDADE!
Viva a mãe que vai para a direita!
Viva a mãe que vai para a esquerda!
Direção não importa, há muitos caminhos
e todos são do mapa.
Viva o Cristo diferente:
o desenho dele não vai mudá-Lo!
Que venha um Censor e muitos ativistas...
"artivistas" e artes vistas.
Temos muitos doutores...
mas poucos se salvam de si mesmos.
(Cíça Mora)


18 de abr de 2013

Bordando os 53 anos de Brasília





Hoje eu me dei conta de que tenho a mesma idade da capital de meu país de origem. 
Brasília nasceu em 1960, e eu também.
"Brasília" rima com "Cecília".
Brasília tem acento agudo, Cecília também.
Brasília vem de Brasil, Cecília vem do Brasil.
Brasília começa com B, Cecília começa com C.
De 1960 para cá, Brasília cresceu muito.
Cecília também.
Na década de 40 entramos no "enta": enquanto Getúlio Vargas arrebenta, Adolf Hitler torna a História sangrenta...
E a Cecília, pinta com magenta!
Hoje, depois dos 50, Brasília pulsa imponente, e Cecília, ardentemente.
53 para Brasília.
53 para Cecília.
Brasília se liga na mobília e Cecília na família, na Emília, na Lucília, na Marília, na Otília...
Brasília vê políticos e Cecília vê bandidos.
Faturamentos para eles, pensamentos para ela.
Periferias pobres não rimam com galerias nobres!

16 de abr de 2013

15/04/2013 - Bordando os atentados a Boston.





Bomba me lembra bola




Gostaria que todas as bombas fossem construídas não para a destruição, mas para a explosão de coisas boas!
Que elas pudessem explodir em bolhas de alegria incontida!
Ou que se tornassem bolhas de alimentos, para sanar a fome mundial!
Que elas pudessem ser bolhas de paz!
Ou bolhas que explodissem em bons hospitais, para sanar a saúde de todos os enfermos...
Que elas pudessem ser bolhas educativas, para que mais nenhuma criança aluna se tornasse um adulto sandeu, idiota o suficiente para plantar bombas e terror!
Que as bombas pudessem ser bolhas bordadas!
Assim como estas, que fiz ontem, ao saber do atentado:


Se o ser humano se sentasse 1 hora por dia para bordar e pudesse compreender o que é paz, tranquilidade, beleza, harmonia, muito dificilmente ele teria tempo para fabricar tristezas como o simples ato de provocar o estouro de uma bomba, com todas as consequências maléficas que ela traz junto!
Acho que vou me candidatar à presidência da república. E não serei democrática.
Votem em mim para presidenta. Em meu plano de governo, vou obrigar o bordado em todas as penitenciárias; vou cobrar apenas metade dos importos de todas as empresas que obrigarem seus funcionários a bordarem uma hora por dia, antes de iniciar seu trabalho; vou colocar o bordado como matéria escolar, e obrigar o aluno a passar com nota dez; nas universidades, os formandos que não souberem fazer um lindo bordado, não poderão atuar profissionalmente; serão criados vários Museus de Bordado por todo o país e toda a população será obrigada a visitá-lo no mínimo uma vez por mês; vou institucionalizar mais um número de identidade: o número do brasileiro bordadeiro! E muitas coisas mais!
Quem sabe assim, consigo fazer com que  as  pessoas parem de pensar na importância desimportante de todas as desiqualdades... de todo o separatismo... de toda a guerra e poder iníquo!
Vamos nos tornar pessoas melhores?
Seria bom para todos, sem exceção.
Pois então, bordemos!
BOOOM!







14 de abr de 2013

Mostra "FRAGMENTOS"...  uma redescoberta !


Fazer uma Mostra individual é sonho de alguns artistas.

Seu ego é massageado, seu trabalho é visto e fecha-se o ciclo que começa com a concepção da sua obra e acaba na existência dela, na materialização de uma ideia que passa, então, a ocupar espaço físico no mundo.

Quanto mais eu exponho, e digo isso como curadora e anartista, mais vejo o quanto é importante quando a pessoa que vê a obra, saiba mais acerca dela.

O conceito. O óbvio. A essência inesgotável. O inescrutável.

Muitos artistas criam e largam suas obras aos que as visitam. Mesmo porque, fica difícil estar ali, o tempo todo, e às vezes, até impossível.

Mas eu percebo o quanto é mágico o conceito e sua voz, que canta como música aos ouvidos daqueles olhos que prescrutam,  como foi produzir intelectual e experimentalmente aquilo que estão a apreciar.

... isso faz com que eles permaneçam por mais tempo na exposição, que olhem com mais  cuidado, apreciando mais.

Não propriamente os trabalhos em si, mas a Arte que emana deles.

O visitante sabe que o artista é um cabalista, alguém que recebe inspiração divina e que consegue expressá-la.

E então, numa exposição interativa, visitante e artista se tornam um, pois sendo a Arte inerente a todos, mesmo que nem todos consigam expressá-la, quem consegue entender todo este processo fica suscetível a este elo, que se cria natural e imperceptivelmente, tornando tudo feliz: aquele momento, aquelas pessoas, aquelas obras...

Quando o artista está misturado com os trabalhos expostos e chega junto com eles ao coração do visitante, ele consegue uma comunicação.

E essa comunicação, uma necessidade do ser humano tanto quanto a Arte, educa, inspira.

É isso que significa o Educativo das Bienais que acontecem em São Paulo, por exemplo.

Muita gente olha os trabalhos expostos pelo grande salão e, na maioria das vezes,  não entende o que eles significam, e nem o que seus criadores quiseram dizer.

O Educativo, então, pega o público pelas mãos e diz sobre um determinado artista e sua respectiva obra: 

ele quis dizer isto
ou... 
ele quis dizer isto? 
ou...
O que acham que ele quis dizer? 
ou...
Acham que devem achar o que ele quis dizer? 
ou...
Acham que devem dizer o que acham que ele quis dizer?

E assim, o povo consegue chegar perto daquilo que foi o "momento de criação". 
Ou não! 
Talvez criem esse momento em si mesmos, e marquem essa obra em sua memória de forma que ela permaneça ali, por muito tempo, pois ficará segundo seu próprio olhar... 

Quando chegamos perto daquilo que o artista quis dizer, entendemos melhor o que está sendo proposto ali.

Explicar o meu trabalho é uma questão fundamental para mim. 

Porque, feliz ou infelizmente, eu sou artista de mim mesma. 

Tudo o que eu expresso faz parte da minha busca interior.

E da minha trajetória.

E de como eu vejo as coisas, um olhar extremamente particular e individual.

Um olhar que eu chamaria de digital, para fazer você pensar nas digitais de seus dedos, mas que não vou falar por estarmos em uma era digital e por entender que você pode ser levado a uma pequena confusão que apagaria a ideia principal do sentido que quis dar...

Se eu não explicar minha obra, como poderão saber o que eu quis dizer?

Preciso dizer!

Senão, meu grito fica perdido num Universo sem fim, num silêncio infinito, num vácuo repleto apenas de breu, e nada, e nem ninguém, vai tomar conhecimento disto.

Mas... será que podem saber?

E será que eu realmente quis dizer aquilo?

E será que eu sempre vou pensar aquilo daquela forma? E se eu mudar?

Cada explicação minha, de minha obra, é como se fosse a alma de cada uma delas. 

Inerente a elas.

Mas estou me desapegando disso...

Quando eu bordo eu transbordo.

E como a própria palavra já diz, eu deixo de me conter e de caber em mim mesma para me derramar para o mundo, me expondo, expondo o meu eu, o meu interior.

Mas dizem que só mostramos o que queremos que os outros vejam. Seria verdade? Vou bordar esta minha curiosidade!

Devassar o interior, a essência. Assim é quem cria.
Assim sou eu.
Assim deve ser o artista.

Deve?

E se assim deve ser o artista, e se assim sou eu, então, mesmo quando paira a dúvida: "será que sou mesmo artista"? ... a resposta me aparece desnudada, desvelada como os véus sobre as mulheres de Mondigliane: sim, eu sou artista

E isto me alegra, preenche e orgulha mais que os resultados de minhas obras.

Essa simples constatação, que tem de reacontecer todos os dias, sustenta meu laço com o divino.

E cada briga interior entre o céu ou a terra, entre o voar ou permanecer com os pés no chão, entre o mostrar ou o esconder-me e entre todos os contrastes que se confrontam interna e diariamente em meu ser, me inspira e me faz criar.

Eu e minha obra = eu, falando com meus demônios e mostrando minhas conversas interiores publicamente, através dos meus transbordamentos bordados.

Isso é exposição.

Nos dois sentidos.

Isso é Mostra.

Mostrar-se nos dois sentidos.

Isso foi esta Mostra "Fragmentos", onde expus fragmentos de todas estas minhas conversas interiores.

E o público, na medida em que eu pude estar presente e explicar sobre cada obra, agradece

E eu também agradeço pela catarse e pelo agradecimento deles.

Minha obra é minha contribuição para mudar os olhos dos que olham a Arte através de mim...

Minha obra é uma contribuição para mudar meus olhos, que olham a Arte que sai de mim...

Minha obra é uma contribuição para mudar a Arte, que olha a mim e aos olhos que me olham...

Este é o Educativo que ofereci, mesmo que tenha sido apenas um fragmento fragmentado da Mostra "Fragmentos", que fragmentou o olhar fragmentante de quem vê e não entende nada!

Fragmentos de mim...

Fragmentos da vida...

Fragmentos de quem cria, de quem aprecia...

Fragmentos do tempo, soltos ao vento, no tempo...


12 de abr de 2013

Mostra "FRAGMENTOS"



Fui convidada pela WR São Paulo para levar uma Mostra com trabalhos meus no 7ª Brazil Patchwork Show.
O convite foi formalizado e aceito um mês antes e eu tive de correr.
Parei com as minhas curadorias recentemente, e como não daria para apresentar uma Mostra apenas com trabalhos  inéditos num espaço de 32m², reuni alguns dos meus ensaios que estavam quase prontos em meu atelier. 
Coisas pequenas, bordadinhos, uma coisinha aqui, outra ali... trabalhinhos que esperavam por um acabamento, um quilt, uma borda... aí mandei emoldurar tudo. 
Então, pequenos pedaços acabaram virando uma Mostra. 
Daí o nome "fragmentos".
Em se tratando de uma feira de patchwork, achei que os visitantes pudessem não gostar tanto de ver minhas "viagens" com linhas e fios nos paninhos. 
Mas tive uma grande e grata surpresa ao ver o interesse e encantamento nas pessoas, quando estavam na frente dos meus trabalhos.
Foi uma das experiências mais ricas que já tive como artista e saí de lá, depois de 4 dias, com gostinho de "quero mais"! Rs...
Abaixo, fotos dos trabalhos que apresentei.


































Este foi o meu livro de presenças. 
A capa é um mixed media, uma tendência que chegou forte, e que se caracteriza pela mistura de técnicas, de materiais, de diversos segmentos da arte.
 Para mim é um fake. Rs... 
Porque prefiro sempre prender tudo com costura, e essa é uma colagem. 
Mas foi legal. 
Fiz em 10 minutos e foi muito divertido. 



Obra: A LETRA "C" TEM MEU NOME

Obra: JASMIM, VIOLETA, PITOCO E PITANGA


Obra: PEDRAS DO MEU CAMINHAR

Obra: OURO TUPINAMBÁ

Obra: AS ROSAS NÃO FALAM






Obra: ALFAMA DE LISBOA


Obra: O JARDIM DA MINHA INFÂNCIA


Obra: SARAGOÇA ORNAMENTADA DE BRICABRAQUE





Obra: AZUL OCULTO

Obra: ENTRELASEDANDO


   
Obra: OS CHAZINHOS DA VOVÓ

Obra: A COR ROXA


















Obra: GIRAGOGS








Uma das minhas homenagens à Singer do Brasil


Na era das macro obras, resolvi antagonizar com este micro trabalho. 
Comprei esta meada de bordar da DMC 
que achei lindamente matizada e fiz tricô com ela. 
Com os seis fios. 
As agulhas foram feitas com dois palitos de dentes 
fechados na ponta com uma conta. 
Teci o tricô no palito de dentes. 
Foi uma experiência bem legal!

Obra: PARAFRASEANDO POLLOCK



Obra: CACHORRED, releitura do pintor brasileiro Gustavo Rosa

Obra: "ARVORAR"

Este trabalho tem 3m de largura. 
Foi encomendado por Rita Paiva 
para as comemorações de 10 anos 
da Semana Senac de Patchwork
organizada pelo Senac 
e pelo Sr. Fernando Malluhy
Houveram duas temáticas: 
Os céus do Brasil 
e esta, que escolhi: as flores que caem do céu. 

O trabalho foi feito nos tecidos da Telanipo 
para mostrarem como é importante 
a presença dos concorrentes num mesmo evento, 
trabalhando juntos e sempre no sentido de evolução do segmento. 

Foi composto por material reciclado: 
restos de flores desfeitas, que reconstruí; 
restos de linhas usadas na confecção de ècharps; 
restos de mangas de blusas descartadas por confecções 
e restos de tecidos cortados à laser, usados também em confecção. 

As cores foram uma homenagem à Gláucia Lanzellotti
já que acabara de fazer um curso rápido com ela sobre isso. 

O trabalho foi quiltado à máquina e tem bordados à mão. 

E a coisa mais emocionante da história deste trabalho 
é que, 
ao ser exposto na Mega Artesanal de 2012, 
ele seguiu de lá de para uma instituição 
que trabalha com pessoas de 4 a 86 anos 
com debilidade mental. 
Através das texturas deste trabalho, 
eles puderam aprender sobre cores: 
que vermelho com amarelo dá laranja, 
em uma de suas atividades artísticas, 
trabalhadas pelos profissionais de lá.
Este trabalho foi colocado 
na porta de entrada e saída do evento, 
o que muito me honrou.

Obra 1: ZÍNGARA    Obra 2: ROXO

Obra 1: AZUL    Obra 2: TUDO AZUL!


Estes 4 trabalhos acima foram feitos depois do "ARVORAR". 


Gostei da idéia de conffettar (técnica do confetti) tecido e resolvi fazer este com as lãs de efeito que eu gosto de trabalhar. 

Coloquei os 4 na minha mesa e fui construindo um a um.


Primeiro picando as lãs e as agrupando com as cores que eu queria, depois quiltando e, por fim, fazendo com que cada um fosse algo diferente, cada um com sua identidade.
 






Obra: O CAVALO DO MEU PRÍNCIPE









Obra 1: LOIRINHA MENININHA, releitura da obra de Renoir 
Obra 2: EU VI UM PASSARINHO AZUL, releitura do pintor brasileiro Adélio Sarro.


Aqui, na parte de cima do cubo, viradas para o teto, a obra: ATLÂNTIDA 
 e a máquina de costura CONFIDENCE,  da Singer, 
a qual uso para  fazer os meus trabalhos, 
quando eles não são feitos à mão. 
Ganhei esta máquina da Milena
que me deu depois da sugestão de Suely
e foi um presente generoso e muito útil. 

Expor a máquina e indicá-la é parte da primeira 
das muitas homenagens que quero render à Singer, 
em forma de agradecimento.

A outra parte de minha homenagem 

foi apresentar em minha Mostra 
um quadrinho bordado à mão, 
que menciona a máquina, 
e que pode ser revisto abaixo:


O meu "obrigada" à WR São Paulo 
e toda a sua equipe, 
a todos que compartilharam comigo mais estas emoções, 
às amigas sempre presentes 
e às pessoas que foram ao evento,
especialmente para ver o meu trabalho. 

Minha gratidão eterna.
bjbb