9 de out. de 2017

Arte e Censura

Eu me dispo de todo o julgamento ignóbil e insano,
de todo o ódio barato,
toda a ignorância violenta,
falsa sabedoria,
moral construído sobre castelos de areia, 
E da fé infame, que não respeita.
Eu me dispo de tudo o que me habita
e que me chega do outro.
Sou livre!
E minha inefável vestimenta é tecida com LIBERDADE!
Viva a mãe que vai para a direita!
Viva a mãe que vai para a esquerda!
Direção não importa, há muitos caminhos
e todos são do mapa.
Viva o Cristo diferente:
o desenho dele não vai mudá-Lo!
Que venha um Censor e muitos ativistas...
"artivistas" e artes vistas.
Temos muitos doutores...
mas poucos se salvam de si mesmos.
(Cíça Mora)


14 de abr. de 2013

Mostra "FRAGMENTOS"...  uma redescoberta !


Fazer uma exposição individual é sonho de alguns artistas.

Seu ego é massageado, seu trabalho é visto e fecha-se o ciclo que começa com a concepção da sua obra e acaba na existência dela, na materialização de uma ideia que passa, então, a ocupar espaço físico no mundo.

Quanto mais eu exponho, e digo isso como curadora e anartista, mais vejo o quanto é importante quando a pessoa que vê a obra, saiba mais acerca dela.

O conceito. 
O óbvio. 
A essência inesgotável. 
O inescrutável.

Muitos artistas criam e suas obras que, numa exposição, ficam abertas ao público e sem a presença deles, pois por várias razões é complicado permanecer ali, o tempo todo, a não ser que isso seja parte de uma performance.  

Como Curadora eu percebo o quanto é mágico, numa exposição, o conceito e sua voz, que canta como música aos ouvidos daqueles olhos que prescrutam;  o quanto é interessante saber como foi produzir intelectual e experimentalmente aquilo que estão a apreciar.

Saber mais sobre as obras da exposição e sobre os artistas das exposições através de resenhas explicativas faz com que eles permaneçam por mais tempo na exposição, pois olham mais curiosos, à medida que vão lendo e se envolvendo com os aspectos que envolvem cada objeto.

O público, que já vem com a idéia de que o artista é um cabalista (alguém que recebe inspiração divina e que consegue expressá-la), numa exposição interativa, bebe da Arte e isso faz artista, obra e público conjugarem um mesmo verbo.                                                                                                    Nem sempre o público é alguém que também produz arte e se expressa através dela.                              E os textos explicativos nas resenhas das obras conseguem aproximar todos, num grande elo criado natural e imperceptivelmente, tornando tudo feliz: aquele momento, aquelas pessoas, aquelas obras...

Durante as exposições, nos raros momentos em que o artista se encontra no mesmo espaço da sua obra, a comunicação (uma necessidade do ser humano e da Arte) acaba educando e inspirando o visitante.

É isso que significa o Educativo destes espaços.

Muita gente olha os trabalhos expostos pelo grande salão e, na maioria das vezes,  não entende o que eles significam, e nem o que seus criadores quiseram dizer.

O Educativo, então, pega o público pelas mãos e diz sobre um determinado artista e sua respectiva obra: 

ele quis dizer isto
ou... 
ele quis dizer isto? 
ou...
O que acham que ele quis dizer? 
ou...
Acham que devem achar o que ele quis dizer? 
ou...
Acham que devem dizer o que acham que ele quis dizer?

E, desta forma, o povo consegue chegar perto daquilo que foi o "momento de criação". 
Ou não! 
Talvez criem esse momento em si mesmos, e marquem essa obra em sua memória de forma que ela permaneça ali, por muito tempo, segundo sua própria perspectiva e olhar próprios. 

Sou da turma que adora saber sobre o que o artista quis dizer, ao fazer uma obra.                               Faz mais sentido para mim se eu entender que o artista pensa o mesmo que eu mas expressa isso de forma que eu não o faria.                                       Para mim isso é mágico! 

Explicar o meu trabalho é uma questão fundamental para mim.                                                            Ao ser artista de mim mesma, tudo o que eu expressar fará parte da minha busca interior, da minha trajetória, de como eu vejo as coisas, o mundo, as pessoas, num olhar extremamente particular e individual.

Um olhar que eu diria que é digital, no sentido de fazer você pensar nas digitais de seus dedos, mas que não vou dizer por estarmos numa era digital e por entender que se disser isso, poucos entenderão e a maioria será levada a uma pequena confusão que apagaria a ideia principal do sentido que quis dar...

Eu penso: se eu não explicar minha obra, como poderão saber o que eu quis dizer?

Preciso dizer!

Senão, é como se, em minha expressão, meu grito ficasse perdido num Universo sem fim, num silêncio infinito, num vácuo repleto de breu, e nada, e nem ninguém, tomariam conhecimento...  e minha expressão perderia o sentido, pois posso dizer o que sinto ou penso para mim, através de meu próprio pensamento. Mas me comunicar com o outro através de um objeto criado em cima de meu pensamento é importante e parte de minha expressão. Sinto necessidade de um registro daquilo que acho importante. E esse registro é sacralizado apenas quando atinge o outro.

Mas... será que podem saber tudo isso?

E será que eu realmente quero dizer aquilo, quando o digo?

E será que eu sempre vou pensar aquilo daquela forma? E se eu mudar?

Cada explicação minha, de minha obra, é como se fosse a alma de cada uma delas. 

Inerente a elas.

Mas estou me desapegando disso...

Quando eu bordo, por exemplo, eu transbordo. Porque me expresso através do bordado. Também.

E como a própria palavra já diz, eu deixo de me conter e de caber em mim mesma para me derramar para o mundo, me expondo, expondo o meu eu, o meu interior.

Mas dizem que só mostramos o que queremos que os outros vejam.                                                      Seria verdade?                                                Muitas indagações.

Devassar o interior, a essência.                          Assim é quem cria.
Assim sou eu.
Assim deve ser o artista.

Deve?

E se assim deve ser o artista, e se assim sou eu, então, mesmo quando paira a dúvida: "será que sou mesmo artista"?                                                                                                                                A resposta me aparece desnudada, desvelada como os véus sobre as mulheres de Mondigliane, mas caídos ao chão... sim, eu sou uma artista

Isto me alegra, preenche e orgulha mais que os resultados de minhas obras.

Essa simples constatação, que tem de reacontecer todos os dias, sustenta meu laço com o sagrado.

E cada briga interior entre o céu ou a terra, entre o voar ou permanecer com os pés no chão, entre o mostrar ou o esconder-me e entre todos os contrastes que se confrontam interna e diariamente em meu ser, me inspira e me faz criar.

Eu e minha obra = eu, falando com meus demônios e mostrando minhas conversas interiores publicamente, através dos meus transbordamentos bordados. Quando bordados.

Isso é exposição.

Nos dois sentidos.

Isso é Mostra.

Mostrar-se nos dois sentidos.

Isso foi esta Mostra "Fragmentos", onde expus fragmentos de todas estas minhas conversas interiores.

E o público, na medida em que eu pude estar presente e explicar sobre cada obra, pareceu agradecer! Alguns se emocionavam muito, me emocionando também.                                                                                                                                                 O elo.

Minha obra é minha contribuição para chegar nos olhos dos que olham a Arte através de mim...

Minha obra é um canal para chegarem ao meu olhar, que olha a Arte que sai de mim no olho de quem a vê...

Minha obra vem para agregar mais Arte. Ela, que olha a mim e chega aos olhos que me olham...

No Educativo que ofereci da minha própria exposição, apenas um fragmento fragmentado da Mostra "Fragmentos", que fragmentou o olhar fragmentante de quem viu e não entendeu nada!

Fragmentos de mim...

Fragmentos da vida...

Fragmentos de quem cria, de quem aprecia...

Fragmentos do tempo, soltos ao vento, no tempo...


12 de abr. de 2013

"FRAGMENTOS" - Exposição Individual de Cíça Mora



Fui convidada pela WR São Paulo para levar uma Mostra com trabalhos meus no 7ª Brazil Patchwork Show.
O convite foi formalizado e aceito um mês antes e eu tive de correr para encher um espaço de 32m².          Reuni alguns dos meus ensaios que estavam quase prontos em meu atelier. 
Coisas pequenas, expressões bordadas, uma coisinha aqui, outra ali... trabalhinhos que esperavam por um acabamento, um quilt, uma borda... aí mandei emoldurar tudo. 
Então, pequenos pedaços de poesia têxtil acabaram virando uma exposição individual. 
Daí o nome "fragmentos".
Em se tratando de uma feira de patchwork, achei que minha poética mal interessaria.
Mas tive uma grande e grata surpresa ao ver o encantamento das pessoas frente à minha proposta.

Nas fotos, os trabalhos apresentados.


































Este foi o meu livro de presenças, em mixed media (mistura de técnicas e de insumos).
 

Obra: A LETRA "C" TEM MEU NOME

Obra: JASMIM, VIOLETA, PITOCO E PITANGA


Obra: PEDRAS DO MEU CAMINHAR

Obra: OURO TUPINAMBÁ

Obra: AS ROSAS NÃO FALAM






Obra: ALFAMA DE LISBOA


Obra: O JARDIM DA MINHA INFÂNCIA


Obra: SARAGOÇA ORNAMENTADA DE BRICABRAQUE





Obra: AZUL OCULTO

Obra: ENTRELASEDANDO


   
Obra: OS CHAZINHOS DA VOVÓ

Obra: A COR ROXA


















Obra: GIRAGOGS








Uma das minhas homenagens à Singer do Brasil


Na era das macro obras, resolvi antagonizar com este micro trabalho. 


Obra: PARAFRASEANDO POLLOCK



Obra: CACHORRED, releitura do pintor brasileiro Gustavo Rosa

Obra: "ARVORAR"

Este trabalho tinha 3m de largura. Foi encomendado por Rita Paiva para as comemorações de 10 anos da Semana Senac de Patchworkorganizada pelo Senac e pelo Sr. Fernando Malluhy. Haviam duas temáticas: Os céus do Brasil e esta, que escolhi: As flores que caem do céu.                                                                                                                  O trabalho foi feito nos tecidos da Telanipo para mostrarem como é importante a presença dos concorrentes num mesmo evento, trabalhando juntos e sempre no sentido de evolução do segmento.                                                                                                                                    Foi composto por material reciclado: restos de flores desfeitas, que reconstruí; restos de linhas usadas na confecção de ècharps; restos de mangas de blusas descartadas por confecções e restos de tecidos cortados à laser, usados também em confecção.                                                                                                                                     As cores foram uma homenagem à Gláucia Lanzellottijá que acabara de fazer um curso rápido com ela sobre isso.                                                                                                                          O trabalho foi quiltado à máquina e tem bordados à mão.                                                                                                                                               E o mais emocionante na história deste trabalho foi que, ao ser exposto na Mega Artesanal de 2012, ele seguiu de lá de para uma instituição que trabalha com pessoas de 4 a 86 anos com debilidade mental.                                                          Através de suas texturas eles puderam aprender sobre cores: que a mistura do vermelho com o amarelo resulta em laranja.                                                                                                           Este trabalho foi colocado na porta de entrada e saída do evento, o que muito me honrou.                                                                                      Depois disso, foi apresentado em outra exposição e em outro local, mas quando terminou tudo, ele foi roubado por uma pessoa disfarçada de segurança.                                                                              E dele só me sobrou a história e a expreriência em fazê-lo.

Obra 1: ZÍNGARA    Obra 2: ROXO

Obra 1: AZUL    Obra 2: TUDO AZUL!


Estes 4 trabalhos acima foram feitos depois do "ARVORAR". 

Gostei da idéia de conffettar (técnica do confetti) tecido e resolvi fazer este com as lãs de efeito que eu gosto de trabalhar. 







Obra: O CAVALO DO MEU PRÍNCIPE









Obra 1: LOIRINHA MENININHA, releitura da obra de Renoir 
Obra 2: EU VI UM PASSARINHO AZUL, releitura do pintor brasileiro Adélio Sarro.


Aqui, na parte de cima do cubo, viradas para o teto, a obra: ATLÂNTIDA 
e a máquina de costura CONFIDENCE,  da Singer, a qual uso para  fazer os meus trabalhos, quando eles não são feitos à mão. Ganhei esta máquina da Milenaque me deu depois da sugestão de Suelye foi um presente generoso e muito útil. 

Expor a máquina foi parte de uma homenagem à Singer do Brasil, em forma de agradecimento.



A outra parte de minha homenagem foi apresentar em minha exposição um quadrinho bordado à mão, 

que menciona a máquina:


Agradeço à WR São Paulo e toda a sua equipe, a todos que compartilharam comigo mais estas emoções, às amigas sempre presentes e às pessoas que foram ao evento, especialmente para ver o meu trabalho.