13 de jan de 2009

TransBordando



É incrível como a agulha e as linhas tiram de mim o que tenho de melhor!
Quando bordo sozinha fico pensando...refletindo...relembrando...
Sou capaz de bordar e pensar ao mesmo tempo.
Bordar em solidão me remete a um universo muito particular e intrínseco. Meus devaneios, pensamentos e divagações se perdem no tempo. No tempo atemporal. E, enquanto libertada do tempo, minhas mãos trabalham. Uma ampara e a outra realiza. Tudo se completa: as mãos, a linha e a agulha, este par e o tecido, o tecido e eu, tudo...o real e o impalpável...
Por um lado o meu corpo respira. Meus pulmões se enchem de ar e renovam meu sangue, a cada segundo, a cada inspirar... e respirar...
E, por outro lado, o bordado também parece respirar. Meu impalpável se enche de emoção e renova minha história a cada segundo, a cada respirar...e inspirar.
Eu inspiro e a agulha entra no tecido. O ar entra nos meus pulmões e a linha entra no tecido. O novo entra. Renovação.
O ar sai dos meus pulmões e a linha sai do tecido. O passado sai no ar renovado. O passado fica no ponto realizado, consagrando aquele pulsar.
Tudo se completa. Tudo se encaixa com perfeita harmonia. A vida pulsa. A arte pulsa. Arte e vida? Vida e arte?
Meus devaneios, pensamentos e divagações se acham no tempo. No tempo real. O dia está indo embora e vai levando consigo toda a sua luz. Mas me deixa uma noite iluminada!
Cada ponto uma história...E quanta história.
Ah...se bordado falasse.....


Uma das coisas que mais me realiza nesta vida é bordar.
Amo o bordado.
É como se ele fosse uma extensão do meu ser.
Bordo desde pequenina.

Ficava olhando minha mãe bordar e cada movimento que ela fazia. O tempo passava e eu nem percebia. Quando ela se levantava para fazer alguma coisa, eu me sentava e tentava reproduzir o que a via fazer. Foi assim que comecei. Sempre aprendi sozinha, observando, curtindo, me envolvendo...
Quando minha mãe recebia visitas de amigas e elas vinham em casa com suas filhas, brincávamos de "mamãe e filhinha". Panos e linhas sempre fizeram parte de minhas brincadeiras.


Quiçá tivesse começado, naquela época, a quiltar.



Conheci o Patchwork em outubro de 2005. A partir de então, abandonei minha antiga forma de trabalho. Agora não trabalho: me divirto.
Até hoje costuro numa máquina singer que era da minha mãe. Não é daquelas antigas mas também não é dessas modernas de hoje em dia, que só faltam falar.
E em toda peça que costuro, sempre coloco um bordado. Não que eu faça isso de propósito. Já não é mais uma coisa que eu possa controlar. E acho muito legal essa simbiose, de mão com máquina.



Em meu atelier particular, divido minhas noções com pessoas que também estão direta ou indiretamente ligadas aos bordados e multiplico minha prática a pessoas que, se não são, tornam-se tão apaixonadas como eu.


Dicas
No vídeo abaixo, um dos jeitos de bordar o ponto atrás.
Eu, particularmente, bordo da direita para a esquerda.
No vídeo dá para você ver como se faz e entender a lógica do ponto.


No vídeo abaixo, o ponto atrás, mas, bordado sobre um risco.


Algumas pessoas usam bastidor para bordar.
Eu uso sempre.
O ponto sempre fica mais bonito e a tensão da linha fica perfeita quando você tira o bastidor do bordado.
Muitas pessoas acham que o bastidor amassa o bordado e estraga o bordado que fica sob o bastidos. Isso não acontece.
Como toda técnica, o uso de determinados instrumentos de trabalho exigem cuidados, lógico.
O bastidor, por exemplo, pode ser encapado com uma tira de tecido de algodão, cortado em viés.
Funciona para não marcar tanto o tecido. Algumas bordadeiras usam encapar o bastidor com fitas de cetim. Mas o atrito de algodão com algodão é menor.
E se você usar o bastidor apenas no momento em que for bordar e retirá-lo assim que parar, isso não deixará marcas em seu bordado.
Acho o vídeo abaixo muito inspirador.


No vídeo abaixo você aprende a fazer o nó francês, um dos meus pontos de bordado preferidos.

E, para quem quer um bordado bem esticadinho, vale engomá-lo, depois de pronto. Fica lindo.


Dicas que peguei no site das Linhas Corrente e adaptei.
"Bordar é sempre um prazer! Ver seu trabalho pronto e receber os elogios por sua arte e criatividade, completam esse prazer.
Para garantir que a beleza de seu trabalho dure a vida toda, aqui estão algumas dicas preciosas:

1. Lave as mãos antes de iniciar um trabalho e sempre que elas estiverem suadas, lave novamente. O suor pode manchar seu trabalho.
2. Sempre guarde o trabalho quando não estiver bordando, para protegê-lo da poeira, respingos, etc.
3. Use fios de aproximadamente 45 cm de comprimento, para evitar que os fios formem nós, fiquem torcidos ou desfiem.
4. Se for lavar o seu trabalho, lave com bastante água quente (60°C) e sabão neutro. O ideal é usar sabão de côco líquido. Caso seja outro, dissolva-o muito bem antes de mergulhar o bordado. Evite alvejantes ou produtos químicos. Se for mais de um trabalho, lave-os um de cada vez. Depois, enxague muito bem, em bastante água. Seque-o entre duas toalhas limpas e de cores neutras (para elas não desbotarem sobre o trabalho), espremendo sem torcer. Atenção: não deixe que o trabalho enrole sobre si mesmo;
5. Se for engomar o trabalho, prepare a goma seguindo as instruções do fabricante. Mergulhe o trabalho inteiramente na solução, deixe alguns minutos e retire deixando escorrer bem, sem torcer.
6. Se for passar o trabalho, vire-o para baixo e passe-o com ferro morno, entre dois panos brancos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ah, os bordados...
Coisa mágica, cada ponto, um pensamento...
Também adoro viajar nisso.
Sei que vc borda divinamente!
Eu sou boazinha no ponto-cruz... já fiz bastante coisa, desde os idos de 1994... um de meus tesouros é a minha coleção de revistas de ponto-cruz. Chego a me lembrar do que fazia ao comprar os exemplares mais bonitos... Geralmente era na hora do almoço, quando saía do escritório para sonhar um pouco na banca de jornal...
Bons tempos...
Obrigada por compartilhar os videos, vou assistir atentamente e aprender com eles.
Saudades, Ciça!!!