17 de mar de 2014

Censurada obra de exposição. Ano: 2014!



Uma obra é sempre um testemunho material da história e da cultura.
Exposições nasceram para que artistas, de todos os tempos e lugares, difundissem as diferentes culturas e expressões. 
É através das exposições que nos mantemos informados sobre as últimas experiências artísticas e seus resultados plásticos.

Em 1964, aqui no Brasil, o regime militar que tomou o poder batia de frente com a oposição, dos artistas que, sempre inconformados com qualquer tipo de autoritarismo, manifestavam isso em suas obras. 
Era a Arte gritando pela liberdade que brotava do chão, como se fossem flores que insistiam em nascer em terrenos pisados por botas lustrosas e implacáveis.

No começo vieram as proibições. 
Depois, as leis. 
E como a Arte continuava a gritar e a lutar pelo propósito de sua própria existência veio, então, a força, querendo calar a voz que continuava reagindo, nem que fosse num fraco sussurro. 
Resistente como um tecido que amarela, suja e mancha, mas atravessa o tempo e permanece, furado  mas presente.

Na Bahia da ditadura, a II Bienal foi palco de constrangimentos e proibições.

Em Minas, exposições foram invadidas pela polícia e várias obras de arte desapareceram de nosso registro histórico.

No Rio, artistas selecionados para exporem suas obras em Paris foram proibidos pelo governo brasileiro de enviarem suas obras para a França, o que causou o repúdio e até uma mobilização internacional entre artistas de todas  as partes do mundo.

Passou a ditadura e veio a democracia. 
Mas no momento pós-democrático em que vivemos atualmente o conflito entre os artistas e os políticos ainda se dá, das mais diversas formas. 
E isso tem se tornado frequente.
A cultura da censura não acabou , ou voltou a prevalecer. 

Tradicionalistas e ditadores que se consideram intelectuais embasam suas premissas em suas ignorâncias, e oprimem! E censuram!

Enquanto a produção de arte nacional cresce, a censura desce sobre ela seu manto velado, agindo sem escrúpulos, discriminando, rotulando, excluindo, restringindo!

Não é mais o momento do povo ir às ruas. 
É o momento da Arte invadir as ruas!

João Pessoa, capital da Paraíba, abriga um dos complexos arquitetônicos mais lindos do mundo, construído pelo brasileiro Oscar Niemeyer no intuito de ampliar o conhecimento e potencializar o turismo cultural e de eventos.
E foi neste espaço de tão significativa importância brasileira que a não menos brasileira,  artista do quilt e cidadã Jainia Martins de Oliveira teve sua obra "NOSSA VOZ, NOSSA VEZ" censurada e vetada para exposição neste último março de 2014!
A obra foi feita dentro da temática “Brasil, Mostra a tua Cara!” , para um concurso promovido por um importante evento do segmento têxtil que acontece anualmente.

A atual curadora geral da Estação Cabo Branco considerou que a obra levantava questões políticas que vão em desencontro ao então prefeito da cidade, Luciano Cartaxo, filiado ao Partido dos Trabalhadores.
E numa atitude onde o individualismo sobrepujou o profissionalismo,  vetou a obra para a exposição , e impossibilitou a artista, com isso, de mostrar com igualdade de direitos, sua expressão.

O evento, apesar da censura, expôs o trabalho da artista no espaço de convivência do Sebrae, dentro da área reservada para stands.

E em apoio à artista e colega Jainia Martins de Oliveira eu andarei por aí, a partir de hoje,  com  uma tarja preta amarrada em mim,

que representa o meu repúdio a tudo isso, e o meu apoio a esta artista tão maravilhosa que sofreu a dor do cajado da censura, depois de ter se dedicado tanto à sua obra e criação.


Jainia, eu protesto a seu favor e em nome da liberdade de expressão!




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