5 de mar de 2013


Hoje é dia 8 de maio de 2008.





É incrível como a agulha e as linhas tiram de mim o que tenho de melhor!

Se sou capaz de bordar 
e pensar ao mesmo tempo, 
quando estou em boa companhia,
também sou capaz de bordar 
e pensar ao mesmo tempo, 
quando estou sozinha.

Quando bordo sozinha 
entro num universo 
muito particular e intrínseco.

Meus devaneios, pensamentos e divagações 
se perdem no tempo.

Perder...

Atemporal...

E, enquanto libertada no tempo, minhas mãos trabalham.

Uma ampara e a outra realiza.

Tudo se completa: as mãos, a linha e a agulha, 
este par e o tecido, 
o tecido e eu, 
tudo...
o real e o impalpável...

Por um lado o meu corpo respira. 
Meus pulmões se enchem de ar 
e renovam meu sangue, 
a cada segundo, 
a cada inspirar... 
e respirar...

E, por outro lado, 
o bordado também parece respirar.
Meu impalpável se enche de emoção 
e renova minha história a cada segundo, 
a cada respirar...
e inspirar.

Eu inspiro e a agulha entra no tecido.
O ar entra nos meus pulmões e a linha entra no tecido.
O novo entra.
Renovação.

O ar sai dos meus pulmões 
e a linha sai do tecido.
O passado sai no ar renovado.
O passado fica no ponto realizado, 
consagrando aquele pulsar.

Tudo se completa.
Tudo se encaixa em perfeita harmonia.
A vida pulsa.
A arte pulsa.
Arte é vida?
Vida é arte?

Meus devaneios, pensamentos e divagações
se acham no tempo.

No tempo real.

O dia está indo embora 
e vai levando consigo toda a sua luz.

Mas me deixa uma noite iluminada!.

Cada ponto uma história...
E quanta história.

Ah...
se bordado falasse.....
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