7 de ago de 2012

Certificado de Autenticidade

Olá, pessoal.

Em todas as Mostras onde sou Curadora, as obras expostas ficam à venda.

E quando não estão à venda, coloco nas etiquetas: "Acervo Particular".

Ou porque o autor não quer vendê-la ou porque ela já pertence a alguma outra pessoa e só foi gentilmente emprestada ao Curador, para a exposição.

Quando eu vendo uma peça, o valor recebido por ela segue integralmente para o artista.

Nem eu nem o evento onde penduramos a obra ficamos com percentagem de venda, comissão ou o nome que queiram dar a isso.

O evento abre mão de receber uma porcentagem sobre a venda e de cobrar locação do artista que expõe porque fica com os lucros do resultado positivo e  impagável que uma Mostra sempre deixa.

E eu porque já recebo do evento para fazer a Curadoria.

E quando não recebo, também não cobro, pois bem sabem que minha luta e meu sonho sempre foi pela dignidade do artista poder viver de seu próprio trabalho e criação, aqui neste país, onde a Arte, infelizmente, não é cultural.

Então, uma das minhas muitas exigências em minhas curadorias é que os eventos certifiquem que o artista participou daquela Mostra. 

E um Certificado de Participação sempre é devolvido ao artista, juntamente com sua obra, pós evento.

Um Certificado onde consta o nome e data do evento, e que traz o nome da obra e do artista.

Isso valoriza seu trabalho exposto.

E quando eu vendo um trabalho, há outro certificado, e mais importante: 
o Certificado de Autenticidade.

Uma vez, há uns anos atrás, comprei numa galeria de arte dois Naifs de Lucia Buccini, uma grande expressão brasileira na pintura Naif, e as obras vieram ambas com um certificado, que tenho até hoje. 

Quando comecei a atuar em Curadoria, no segmento Têxtil, já na primeira Mostra providenciei para que as peças vendidas, feitas em Patchwork fossem tratadas como objetos de arte, e as que foram vendidas foram entregues aos compradores já com este Certificado.

E como ele é?

Bom... eu, na verdade, criei um modelo próprio. 

Peguei um modelo e adaptei.

O meu modelo, diferentemente dos outros tantos por aí, tem 3 páginas e é entregue numa pasta, ao comprador. 

A formalização, a documentação de uma obra.

Na primeira folha vem a foto da obra, o maior que couber ali, e em cores.

Na segunda folha eu coloco uma foto marca d'água bem grande, na folha toda, com os dados técnicos escritos por cima.

E na terceira folha, o recibo de compra e venda.

Na segunda folha, quais são os dados que devem constar? 

Por exemplo, um começo assim:


              CERTIFICADO DE AUTENTICIDADE


Eu, fulano de tal (nome artístico), certifico que a obra TAL (escrita com letras maiúsculas), confeccionada de tal forma (linguagem) e com tais materiais (aqui vc também pode colocar se a obra foi feita à mão ou à máquina) é autêntica, exclusiva e de minha autoria. (Esse "de minha autoria" vocês só usam quando não for uma releitura, ok?)

Depois, completam a relação abaixo, na mesma folha:

1. Nome da obra. 
Deve vir sempre em letras maiúsculas.
Caso seja uma releitura de outra obra, é imprescindível colocar a frase abaixo:
Este trabalho é uma releitura da obra tal(colocar o nome da obra original), do artista fulano de tal (colocar o nome do artista que fez a obra que gerou sua releitura).

2. Nome do artista. 
O seu nome.
Ou o nome que usa em suas obras, sua alcunha artística.
O meu nome, por exemplo, é Maria Cecília Mora, 
mas uso Cíça Mora para assinar meus trabalhos.

3. Dimensões da Obra. 
Aqui você deve colocar as medidas do seu trabalho.
Primeiro o quanto ele tem de largura, e depois, quanto tem de altura.
E sempre com três algarismos e vírgulas. E as medidas sempre em metros.
Por exemplo:  0,80m L x 1,20m h
(L= largura, comprimento e h = altura)
Se for tridimensional, especifique tudo: profundidade, volume, peso, etc.
Caso seja uma instalação, coloque o espaço que ele ocupa já instalado. Por exemplo: 4m²

4. Data.
Aqui você coloca o ano em que a obra foi terminada.
Muitas vezes ela é começada lá atrás, há meses ou anos.
Mas isso fica para você guardar com você.
No certificado, coloque apenas quando ela foi terminada.
Assim, por exemplo: maio de 2012.

5. Especificações da obra. 
Aqui você coloca, caso queira, as técnicas empregadas, os materiais utilizados, num  breve histórico.

6. Particularidade desta obra
Este item é opcional.
Às vezes você faz uma peça encomendada, com temática, ou para participar de algum concurso, ou homenagem...
Se quiser colocar isso, é sempre um dado a mais sobre o seu trabalho, que interessa a quem compra.
Mas se não quiser, é opcional, como eu disse.

6. Contato. 
Aqui você deve colocar um e-mail que sempre vai poder utilizar, mesmo lá na frente, daqui a alguns anos.
A maior parte das obras de arte é para sempre, e há que existir uma forma das pessoas poderem entrar em contato com você, através de seu trabalho.
Deixe sempre um rastro seu.
Pode colocar seu site, também.
Ou mesmo um telefone ou caixa postal.
O contato é um elo entre você e o futuro.
E seu contato nunca deve mudar. Deve permanecer através do tempo.

7. Data e assinatura com CPF
O certificado deve terminar com a data, sua assinatura e seu CPF logo abaixo dela.
E depois disto, deve ser reconhecido em cartório, tornando o documento legal.
Portanto, cuidado com os direitos autorais.
Sempre.

Recibo
É sempre a terceira folha do Certificado.
O recibo de compra e venda confere, legalmente, a transferência da propriedade da obra.
Deve ser feito sempre em duas vias: uma para você e outra para o comprador.
Aliás, eu sempre faço duas vias do Certificado todo, e guardo comigo como documento.
Mas cuidado: tire duas cópias e assine a ambas separadamente, ok?
Nunca tire xerox de sua assinatura.
Não fica legal. Em ambos os sentidos.
Abaixo, meu modelinho de recibo:

                             RECIBO DE COMPRA E VENDA

                                     Eu, fulano de tal, de nome artístico tal (se tiver), sob o registro de CPF tal,       recebi de fulano de tal, registrado sob o CPF de tal número, o valor de R$ tal reais (tantos reais, por extenso).

                                     O valor recebido refere-se à venda e à transferência total e irrestrita da obra TAL, autêntica, exclusiva e de minha autoria, ao comprador supra citado.
O recibo deve ter no final a sua assinatura e a data.


Sempre que fizer um trabalho artístico, providencie tudo isto.

É importante que, antes das pessoas valorizarem o seu trabalho, você mesmo os valorize.

E fazendo isso você não só está valorizando o seu trabalho e sua criação como também valoriza  o investimento de quem escolheu comprar sua obra.

Toda essa documentação confere valor à obra.

Portanto, não seja displicente , ok?

Você até pode ser com suas coisas, mas não seja com a Arte.

Tomando essa providências simples logo que finaliza um trabalho você contribui com a História da Arte.

Porque mesmo que nunca atente para isso, o seu trabalho diz muito da época em que você vive.

Quem pode negar que lá na frente, quando muitos anos já se tiverem passado, uma pessoa vai achar sua obra linda e vai querer levantar tudo a seu respeito?

Então!

Facilite o trabalho dela, de catalogação de arte, no futuro.

Até para si mesmo é bom, pois quando precisar de alguns dados, tudo estará lá, guardadinho pra quando você precisar. Porque você vai esquecer!

Então, mãos à obra!
Catalogue tudo a partir de hoje e corra atrás de catalogar os anteriores.

Mas cuidado: Certificados devem ser dados apenas a objetos de arte, ok?

Se quiser dar propriedade a trabalhos que sejam de uma linha particular de produção, e lhes quiser dar exclusividade, então isso é outra coisa.

Nesse caso, mande fazer uma marca, etiquetas, etc.

Obra de arte é obra de arte.
É única.
É exclusiva.
É autêntica.

Beijos a todos.
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