12 de abr de 2012

O retorno aos corantes naturais


Em meio à discussão sobre a sustentabilidade 
e sobre o uso da química que, 
além de fazer mal à natureza faz mal, também, 
à saúde, o uso de corantes é cíclico 
e anda em alta, ultimamente.

Por mais de 5 mil anos corantes naturais 
foram extraídos de plantas e animais 
e usados para colorir tecidos e alimentos 
e o tratamento dado aos restos desta produção acontecia também de forma mais natural, a biodegradável. 

Os índios usavam (e os ainda índios, inda usam) 
o urucum, 
que eu adoro e acho linda! 
Não só para pintarem a pele 
como, também, para protegê-la contra picadas de insetos e queimaduras do sol. 
Muito sábios. 
Chamam a planta de uru-ku
que significa "vermelho"




Olhem a foto dela aí embaixo.


Nunca tingi com urucum, 
que também chamamos de colorau, 
mas é meu sonho de consumo! 
Deve ficar maravilhoso.
O urucum é um arbusto rústico, 
tem baixo custo de produção 
e não exige muitos cuidados.


No final do século XIX  surgiram as anilinas, 
corantes sintéticos e, 
com o tempo e em nome da larga escala, 
os corantes naturais foram gradativamente substituídos. 

Hoje as indústrias dos sintéticos poluem largamente os rios.

Mas nem no passado a natureza foi tratada com respeito. Absolutamente. 

Tanto é que a árvore do pau-brasil, que tinge de vermelho, quase foi extinta.

Hoje, a maioria dos corantes sintéticos deriva do petróleo.

E a volta aos recursos naturais 
envolve bastante cuidado, 
pois tudo na natureza, acaba, 
se for mal utilizado.


Segundo Ticiane Rossi, engenheira florestal 
formada pela universidade de São Paulo,
"...  plantas, insetos, madeireiras e resíduos 
de alimentos são fontes que podem originar 
corantes naturais, que têm os mais diversos usos, podendo tingir tecidos, papel, couro, 
alimentos e cosméticos. Corantes naturais 
têm mais versatilidade, pois nem sempre 
se pode reproduzir, sinteticamente, 
uma cor natural".

Nos corantes naturais, 
partes diferentes das plantas 
(folhas, sementes, casca de frutas, casca de árvores, raízes, madeira) 
são usadas no preparo dos corantes. 
E a idade da planta também interfere na coloração. 
O interessante do tingimento natural 
é que, diferentemente do sintético, 
nunca conseguimos sempre as mesmas cores, 
em larga escala de produção. 
Isto torna os tecidos tingidos naturalmente 
muito mais raros.


Os líquens e os fungos 
também são excelentes tingidores. 
Eles nascem em rochas 
ou nos cascos das árvores, 
conforme mostro nas fotos abaixo.


E têm os fungos:


Mas são necessárias grandes quantidades 
destes vegetais chamados "plantas tintoriais"
para uma produção destes corantes.

Normalmente tingimos lãs e sedas 
com mais facilidade. 
Mas a grande maioria prefere tingir algodão.

O mais importante antes de um tingimento 
é avaliar o tecido.

Os tecidos de algodão 100% 
e os de fibras naturais tingem muito bem; 
tecidos sintéticos tingem mal; 
tecidos mistos podem dar certo ou não.
Os tecidos brancos e os crus 
chegam mais perto da cor desejada 
e dão excelentes resultados.
Quando o tecido é estampado, 
a estampa não é tingida, pois é imune às tintas. 
O tingimento cai apenas no tecido sem estampa.
Quanto mais escura a cor, 
mais facilmente ela pega nos tecidos.
E os tecidos coloridos 
devem ser tingidos 
com cores mais escuras do que a original 
reagem como as tintas. 
Se tingir, por exemplo, 
um tecido vermelho com tinta amarela, 
o pano vai se tornar alaranjado.
É uma brincadeira bem gostosa. 

Para conseguir uma cor roxa escura no algodão, 
por exemplo, 
use permanganato de potássio. 
Trata-se daquele mini-comprimido roxinho 
que usamos para acelerar a cicatrização 
e parar a coceira da catapora das crianças. 
Acho que você deve se lembrar, se já teve filhos. 
É vendido apenas com receita médica, 
mas algumas farmácias não exigem isso.

Usei o permanganato para tingir linhas, 
também, 
e ele dá a elas um tom de envelhecido muito bonito. 

Apesar dele ser roxo, 
em linha branca ele tinge nas cores cru, 
bege claro e bege escuro envelhecido. 
Muito lindas. 
Mas tinge de roxo, também, 
e o roxo é igualmente lindo! 
E o que seria o "mordente", 
que tanto se fala quando o assunto é tingimento? 
Os mordentes 
servem para fazer com que as fibras do algodão absorvam melhor o corante.  

Quando os usamos, as cores ficam mais vivas e seguras. 

Descobri que para um resultado melhor você deve misturar dois mordentes entre si e que cada tipo de mordente produz cor diferente se você usar um mesmo corante. 

Não gosto muito de mexer com química. 

Mas se você quiser,  procure o alume. De todos eles é o que dá melhor resultado, deixa as cores mais vívidas e é o mais barato de todos. Você  pode comprá-lo em farmácia ou casas de materiais de construção ou ferragens.

Eu prefiro usar o sal e o vinagre. 

Mas já me disseram que as cinzas da madeira também são usadas para este mesmo fim, mas nunca testei. Nem vou. 

O que eu já fiz muito foi tingir com casca da cebola. 
Na primeira vez que fiz, inclusive, tive medo do cheiro que ela podia soltar, mas não houve problemas. Adoro o pano tingido assim. Fica lindo para bordar neles, depois. Eu uso uns 300g de casca, mais ou menos. Vou juntando e quando tenho a quantidade suficiente, fervo tudo até a água ficar escura e mergulho o pano branco na água quente, deixando lá até a água esfriar por completo. O tecido fica com a cor parecida com a do "pano assado".


Mas cuidado: quando usar o tecido em qualquer tingimento, deve prepará-lo antes, para tirar toda aquela goma que ele tem e para deixá-lo apto a puxar as cores dos pigmentos. 

Eu os lavo com bastante sabão em pó, na lavagem mais comprida da máquina de lavar, depois de deixar um ou dois dias de molho. E eu também enxáguo duas vezes, em bastante água. Ele fica bem molinho, quando sai da máquina.  E eu o mergulho ainda úmido na água quente do tingimento. Fica muito legal.

Eu também já tingi com cascas de nozes. Fiz o mesmo processo que o usado nas cascas de cebola. 
Só que resultado, no pano, fica bem mais escuro.

Quando uso pigmento sintético, uso as mais fáceis de encontrar: a Guarani e a Acrilex.

Já fiz alguns cursos de tingimento, mas uso muito pouco esta técnica. Normalmente eu me rendo às cores dos paninhos de um stand de evento. Estou sempre sucumbindo a eles. E quando tiro o dia pra tingir, sempre faço muita quantidade porque... ô técnica que rende! Rs...

Além dos pigmentos podemos usar outras substâncias para tingirmos ou estamparmos tecidos. 
Desde temperos até os mais esquisitos materiais.

Tudo isto é válido, desde que cuidemos da natureza, da saúde e que, claro, os paninhos fiquem lindos .
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