8 de dez de 2011

Ruptura Artística



Já há algum tempo, 
venho notando em meu processo criativo 
uma espécie de ruptura.

                   
Ainda não sei identificar 
qual ou quais dos meus próprios paradigmas 
estão prestes a se quebrar, 
mas já sinto a mudança.


Emergem dentro de mim 
diversos questionamentos, 
e por conta disso minhas 
mãos praticam apenas a prática, 
enquanto minha criatividade se perde 
em devaneios e debates íntimos.

                  

Estou em notória fase de transição.
           
O valor determinado a cada coisa 
me fez suscitar a possibilidade 
de estar valorizando as coisas que eu não deveria.
O que é, realmente, mais importante?


Trabalho nestas respostas, 
numa busca incessante.
Tenho lido sobre a vida 
de alguns artistas ilustres 
para ver se encontro na biografia deles 
alguma referência 
sobre o mesmo tipo de questionamento.
Não sei onde isso vai dar 
e em quê vai transformar 
a  minha linguagem artística...


O que sei é que estou tropeçando, 
mas não consigo identificar direito 
as pedras que estão no meu caminho.
Isso me impede de chutá-las.

Não quero, 
nem por um momento, 
subjugar a Arte...
ou subjugar-me a ela, 
e perder a minha essência.


Existem muitos conceitos 
e eles são muito falados, 
discutidos e estão aí,  
na boca e nos trabalhos 
de quem se expressa 
embasado no conceitualismo...
Descontextualizar tudo 
talvez fosse um caminho melhor...


Não estou em pânico, 
mas isso tudo me assusta muito, 
por ser tudo muito novo.


Mas ter consciência 
de estar passando por um processo 
de ruptura criativa 
já me ajuda.

Resta-me ter paciência 
para que a vida 
me coloque 
algumas respostas.


São elas que irão dar 
um novo direcionamento 
ao meu trabalho.

A Arte não é como 
uma avenida de uma mão só.
Ela tem duplo sentido.


Do mesmo jeito que as coisas vão, 
elas vêm;
do mesmo jeito que olhamos as coisas, 
podemos ser olhadas por elas;
do mesmo jeito que contestamos, 
somo incompreendidos;
do mesmo jeito que achamos, 
nos perdemos...


E pensar nestas possibilidades 
me põe em contínua reflexão.




Vejo que toda a expressão de Arte 
deve ter conteúdo e profundidade.

O trabalho que terminamos pode não ser tão importante, mas a ideia que ele traz, isso sim.


E me vejo caindo na noção 
da famosa Arte Conceitual...
... e entro no rótulo de novo...
... arte como idéia, 
onde a materialidade física do objeto 
torna-se elemento secundário 
para a compreensão da arte.
O que importa é a idéia.
Romper...
                      
Ruptura...
Não posso permitir 
que essa ruptura que agora me chega tão forte, 
se alie ao nada e fique perdida...
Isso banalizaria minha expressão.

Não me importo de ser banal 
e de fazer trabalhos banais.
Mas as ideias que vierem 
não podem ser banais.
Senão eu não serviria 
ao meu próprio propósito.


Não quero seguir 
modismos e tendências, e
 nem sei se consigo isso.
Mas fazer por fazer não é arte 
e não é uma coisa da qual eu goste.

Não teria sentido  nem valor, 
para mim, 
fazer um trabalho descomprometido 
com um objetivo maior, 
com uma proposta importante, 
com um sentido, 
com uma reflexão.


Prefiro um trabalho hedonista.

E nada me dá tanto prazer 
como ser feliz naquilo que faço.
E só faço por julgar importante.

Uma forma cíclica de criar.
Divagações íntimas, 
desnudadas aqui pela necessidade 
da busca rápida de respostas. 
Conteúdos íntimos 
de um baú enorme...


Ah... ser humano! 
Sermos humanos!
Somos, mesmo, 
uma caixinha com muito conteúdo.
A vida imita a arte 
ou a arte imita a vida?



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