16 de set de 2011

"Saragoça Ornamentada de Bricabraque"

Outro trabalho meu: 
SARAGOÇA ORNAMENTADA DE BRICABRAQUE

Adorei fazê-lo porque pude experimentar 
materiais bem diferentes dos que já usei até agora, como, por exemplo, o papel.

Usei papel metalizado, daqueles que usamos para embrulhar bombons.

Usei, também, fitilho dourado, daqueles que usamos para amarrar presentes no Natal.

Cortei-os bem picadinhos e os prendi entre o fundo e o tule, para que se mexam e dêem movimento e vida ao trabalho.

São materiais que não ficarão estáticos como os que eu preguei, por exemplo.

Perfeito para a intenção que eu quero dar.

Também coloquei uma borboleta de metal,
 sobre um fundo da mesma cor, imitando o mimetismo natural.

E entre uma exposição e outra, como ela fica em relevo, uma de suas asas foi quebrada.

Nada, aliás, que não imite a vida.

E a pergunta que sempre faço: a vida imita a arte ou a arte imita a vida?

Trabalhei nesta obra com vários tipos de tecidos: algodão, tule, veludo, tecidos sintéticos variados...
E com pedras, miçangas e muitas linhas, materiais que nunca faltam em meus trabalhos. Também usei o Angelina Fiber, um material que encabeça a minha lista de preferidos, dado o seu brilho.

Fiz este trabalho em apenas uma tarde.

Fui bordando e compondo e, quando vi, não tinha mais pano.

Então, resolvi acabá-lo ali.

Depois o enquadrei, diferentemente dos meus trabalhos anteriores, os quais sempre transformo em painéis.

Aliás, a última seqüência de bordados que fiz, 
nos 3 primeiros meses do ano, 
emoldurei todos, e intensionalmente.

Primeiro porque esse tipo de artefato está entrando fortemente no mercado da decoração, 
o que abre a$ porta$ para um caminho viável de trabalho.

E depois, e mais importante, porque dar uma moldura a eles significa dizer que eu quis enobrecê-los.

Eu sempre quero vê-los incorporados às artes visuais (pois não o são!) e, mais especificamente, que sejam vistos como se olham as pinturas.

Uma das premissas de meu trabalho como Curadora é fazer com que os olhos voltados à arte se voltem para o trabalho têxtil e o bordado, também!!!

Mas sabem? Às vezes eu me pego pensando que estou começando a não querer mais isso...

Que esses olhos que olham os nossos trabalhos e dão nomes a eles pouco se me dão!!!!!

Todos sabemos que quem decide essa nossa inclusão são pessoas especificamente "do mercado da arte",   influentes, mas nem sempre sábias (aliás, potencialmente ignorantes!), salvo raríssimas exceções.

Dizem dos nossos têxteis e dos nossos Quilt Art : "Incrível! Eu nunca poderia imaginar esse tipo de possibilidade, com os tecidos!"

E o que sempre me deixou muito desanimada é que essas pessoas, que poderiam usar dos recursos que dispõem para divulgarem trabalhos e artistas de valor, fecham a questão (sem conhecerem aquilo que queremos mostrar) e nos fecham as portas, firmando ainda mais o situacionismo das "cartas marcadas".

Então, nem sei se esse tipo de gente é realmente capacitado para ocupar a posição de formadores de opinião, críticos de arte, gestores culturais, curadores ou sei lá mais o quê.

O que faço é desconsiderá-los como desconsideram nossos trabalhos. É fato que nem sempre merecem minha consideração e respeito.

Vou é continuar me expressando e fazendo meus trabalhos, independentemente da ajuda que eles podem me dar para poder mostrá-los.

Um dia eu e outros artistas estaremos fortes e independentes o suficiente para montarmos nossas próprias exposições, e não precisaremos mais dos recursos (parcos ou nenhum) que hoje nos oferecem.

Mas,...
Voltando ao meu trabalho, foi uma experiência única e enormemente enriquecedora fazer este trabalho. 
Aliás, como cada trabalho meu.
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