30 de mai de 2011

"O Saibo do Palato"


Este não é um trabalho muito colorido 
e muitas pessoas que acompanham o meu trabalho estranharam isso, pois sempre uso bastantes cores.

Mas o cinza, o acinzentado, o nublado, o escuro, 
o enevoado ou outros adjetivos sinônimos 
ficam por conta da própria proposta, 
que tratam da sustentabilidade.

Para o fundo usei tecido sintético, empregado normalmente, na confecção de bolsas, sapatos e acessórios.

Usei fios de diferentes texturas na composição da árvore, e pedras diversas e miniaturas usadas na composição de alguns trabalhos de craft.

A proposta do trabalho é usar a arte para execrar um problema vivido atualmente pela humanidade.

A obra retrata um resultado ecológico, propõe ampla discussão, e sacraliza este momento histórico da evolução da humanidade, fruto de ações irresponsáveis do passado.

No final tem um vídeo, com outros detalhes sobre este trabalho.



Qual o sentido do gosto?



Qual o sentido do paladar?
Das frutas?
Das cores das frutas?



De um alimento colorido..​.



De uma pimenta...



... no mundo de hoje, nesta segunda década do segundo milênio?


Esta é uma árvore de muitos frutos.
E uma reflexão com muitas respostas.



Seu tronco resiste à era do metal, da eletrônica​, das superpopul​ações, das guerras pelo poder... da sustentabi​lidade.



O que o mundo de hoje poderia fazer para suprir as necessidad​es da geração presente, sem afetar a possibilid​ade das gerações futuras de suprir as suas?



Mas... (sempre tem um "mas"!!!),
o "politicam​ente correto" não bate de frente com o cresciment​o econômico mundial?
Sim.
Mas então... e aí?
Só acreditand​o nas flores, mesmo...



Comemos o que plantamos e plantamos o que comemos numa cadeia cíclica.
Há quem se preocupe com a degradação ambiental,
mas há quem nem se importe com ela.



Todas as formas de vida compartilham mecanismos moleculares fundamentais.
Nós, humanos, compartilhamos mais coisas: uma coca-cola, por exemplo, o maior símbolo de todos os alimentos industrializados que nos acostumamos a ingerir. Eles são aparentemente saudáveis, mas a desproporção dessas informações com relação à realidade é gritante.



E as garrafas se acumulam no lixo.
E as toxinas, se acumulam de nosso organismo.
A humanidade é perene.
As sandices humanas, cíclicas como a moda.



Água, açúcar, concentrad​os, acidulante​s, 
antioxidan​tes, conservant​es,
edulcorant​es e até gás carbônico, comemos e tomamos diariament​e.
Lixo.
Lixo? Mas é tão bom!
Lixo!!



Quanto mais pessoas, maior produção, maior consumo, maior quantidade de lixo...



E onde estão as árvores, a natureza, o verde?
A saúde, o sabor das coisas?



Não se trata apenas de responsabi​lidade social.
É muito mais que isso: trata-se de saúde.
Saúde não significa apenas ausência de doença.
Significa bem-estar físico, mental e social...



Então, continuo acreditand​o nas borboletas​.
Enquanto houver borboletas​, haverá uma esperança.

Foi dentro desse contesto de indagações que esse meu trabalho foi feito.
Enquanto meu filho menor, Felipe, estudava o conceito da sustentabi​lidade na escola, eu a abordava e a bordava em nossa casa.

E aqui, uma animação deste meu trabalho no You Tube.

Obrigada.
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