21 de fev de 2011

Bordado Incrustado


Este é um dos bordados que estudei muito no ano passado.
O nome desta técnica contemporânea é Bordado Incrustado.
Fui convidada pelos organizadores do Festival de Gramado para dar este curso em 2010 e durante esta oficina foram feitos lindos bordados com esta técnica. Foi muito legal.


Este tipo de bordado mexe muito comigo porque o resultado dele, sempre dimensional, é uma das coisas que mais me chamam a atenção,tanto na que aprecio como na que desenvolvo.


Aqui o bordado encrustado adquire forma.
E apesar da estrutura que ele forma, fica algo subentendido.
Uma forma tridimensional, mas, ao mesmo tempo, sutil...


É como se pudéssemos perscrutar o fundo do mar. A água traz tesouros que vão se depositando nas profundezas.
Uns sobre os outros.
E conforme a água mexe, a areia vai encobrindo partes deste tesouro e descobrindo outras...


... tesouros bordados...
a vida imita a arte ou a arte imita a vida?


A monocromia é quebrada pela multiplicidade das formas...


... tal como o doirado das jóias,
quebrando a monocromia da cor.
Jóias da vida...
jóias bordadas.


Pedras, missangas, botões, tecido, linhas, pontos de bordados...
Diferentes petrechos que compõem um todo.


Muitas texturas são conseguidas quando exploramos diferentes materiais e lhes damos vasão para se sobreporem, se misturarem, e imiscuírem-se entre si mesmos.


O bordado é sempre o que dá a alma ao trabalho. No meu, pelo menos, sempre!


Interagir com o tecido e deixar que ele mesmo adquira as formas que ele quer resulta numa parceria entre o artista e o bordado que pode ser vista e sentida nesta foto.


Entregar-se à criação é algo indescritível.
Vê-lo nascer, vê-lo pronto, uau!
É pura adrenalina.


Há quem brigue com o passado e com o tradicional.
Eu não escolhi expressar minhas impressões com essas duas vertentes, mas negá-las seria insanidade, dado que elas se entrelaçam com o presente, em meu trabalho,dando uma definição a ele que completa o seu caráter contemporâneo.


Um detalhe cala muito mais forte ao coração.


Eu sempre coloco alguma coisa escondidinha, em meus trabalhos, para que apenas as pessoas que vêm vê-lo de perto consigam enxergar. Aprendi isso com Jenny Bowker, uma quilteira de muita sensibilidade.


Um mínimo detalhe torna-se grande e destacado, dependendo dos olhos que o vêem.


O opaco, o brilho... o aparente, o embutido...
o redondo e o amorfo... o fundo plano, o dimensional...
isso é que define um bordado encrustado.
E fios dourados são sempre muito ingratos, apesar da beleza.


Um etamine tingido, na falta de um tecidinho da cor desejada dá um resultado bem legal.
Mas isso não é etamine
e nem é tingido.
Rs...


Nó francês.
Por menor que ele seja, é tão lindo e complementa tanto que não consigo pensar no meu bordado sem a presença dele.


Todo o carinho, toda a dedicação e toda a criação é pouco...
...diante do resultado que o próprio bordado impõe.


Conforme vamos bordando, o bordado vai adquirindo personalidade...


... e voz própria.


Cada detalhe é primordial.


O detalhe pode não ser visto pela grande maioria das pessoas.
Mas tocar o coração dos poucos que o conseguem ver e sentir, bem... essa é uma das sensações indescritíveis de bordadeiras como eu.


Em pé e deitado, curto e comprido... tudo se junta num todo muito rico.


O que fazer com um pedaço de pano com um bordado desses?
Transformei numa bolsinha. Achei feia. Não gostei. Só gosto do bordado.


Fiz as alças com pedrarias no mesmo tom, enfeitei a volta dela com um fio de efeito e saiu isso que pode ser visto na foto.
Muitas pessoas adoram e ficam um tempão com ela nas mãos, apreciando e cobiçando.
Outras ficam se perguntando onde é que usariam uma bolsa dessas.
E o que fica é apenas uma coisa: a tendência, sempre perene..
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