21 de ago de 2010

FNPI - Fórum Nacional pela Primeira Infância

Cheguei pontualmente.
Aqui é o Salão Nobre da OAB de São Paulo, no primeiro andar do número 385 da Praça da Sé.
Começa às 19:00h, e cá estou eu, pontualmente, no local do evento.
A primeira pessoa que vejo é o João (Dr. João Augusto Figueiró - Presidente Executivo deste Fórum), que me acolhe com um sorriso e um abraço caloroso.
Logo em seguida vejo Simone Ramounnoulou (Presidente da mesa e Gestora do Fórum Nacional pela Primeira Infância), de quem também ganho um largo abraço.
Quando vejo a Sônia (Sônia Costa - Secretária Executiva deste maravilhoso Projeto e Colaboradora direta de João Figueiró), ela me orienta a pegar o material impresso e me instalar em meu lugar.
Assim faço.
Sentada, começo a folhear o material.
Um livro, com mais de 200 páginas, contendo o Programa Nacional de Direitos Humanos.
E antes de começar a folheá-lo e, até que tudo comece, paro para pensar...
"Direitos Humanos"... tenho escutado tanto essas duas palavras...
todo mundo sempre fala tanto nisso...
a banalização do seu significado é o que mais me preocupa.
Fala-se muito, mas pouco se reflete sobre esse real valor...
Folheio o livro e ao mesmo tempo observo as pessoas ao meu redor.
E penso... as pessoas se reúnem. Cada qual no seu grupo: doutores com doutores, artistas com artistas, políticos com políticos, empresários com empresários.
Vez ou outra reúnem-se os grupos: advogados com artistas, com médicos, com políticos...
Este Fórum está assim. Aqui há pessoas que atuam em várias profissões.
Quando vamos ao show de um artista, esperamos escutar dele várias de suas músicas. Somos várias pessoas na platéia com o foco apenas em um: o artista que elegemos ver.
Aqui neste Fórum está sendo assim também.
Somos várias pessoas focadas em apenas um.
Mas este "um" é diferente.
Não está presente.
Não dá para vermos aqui, neste momento, mas é a grande causa: a criança.
É por ela (e quando falo "ela", a palavra é singular e o significado é plural) que todos estamos aqui, nesta sexta-feira à noite.
É por ela que comparecemos a este Fórum, trazendo a nós mesmos e nossa vontade de tornar este mundo melhor.
Melhorar o nosso mundo, o mundo das crianças de hoje, com todos os seus direitos, o mundo dos adultos do futuro.
E eu me vejo diante da pergunta: conseguiremos fazer esta semente germinar?
Olho novamente para as pessoas ao meu redor, observo seus gestos e olhares e, depois de longos minutos a resposta surge à minha frente: sim, conseguiremos!
Estamos aqui por isso.
Deixamos nossa sexta-feira que poderia ser agradavelmente dividida com nossos amigos e familiares para estarmos aqui.
Nós modificamos o mundo.
Nós queremos fazer isso.
Nos preocupamos de fato, nos importamos com isso e sabemos que não basta nos condoermos e concordarmos que é hora de transformarmos.
Sabemos que precisamos agir.
Daí os grupos. A união de pessoas diferentes que têm o mesmo objetivo tornam a causa capaz.
Olho novamente para as pessoas ao meu redor.
Vieram para cá depois de um dia de trabalho. Como terá sido seu dia? Alguns devem ter tido muito trabalho. Talvez outros tenham tido uma sexta-feira mais tranqüila. Mas isso não importa muito, agora.
O fato é que estão todos aqui.
Se trazem o corpo e a mente cansados, não demonstram.
Vieram para de dedicarem.
E eu, o quê eu vim fazer aqui?
Importar-me com a criança não basta e tenho consciência disso.
Então, o que devo fazer?
Como usar o meu trabalho de arte têxtil em prol desta causa?
Sei que não devo estar aqui por acaso.
Sinto que meu papel é importante nisso tudo. Importante para mim, importante para a causa.
Devo disseminar essas idéias por onde ando e difundí-las e torná-las amplamente viáveis, praticáveis e conhecidas.
Não sei ainda de que forma, ou talvez tenha até uma leve desconfiança de como seja. Mas a certeza é uma só: é o que farei!
Enquanto eu estou aqui, com todas essas pessoas, crianças e adolescentes no mundo inteiro, neste exato momento, estão tendo os seus direitos violentados de alguma forma, com maus tratos.
É por eles que vim.
Eu nem os conheço, mas sofro por eles.
Sinto necessidade de fazer alguma coisa para mudar a realidade triste que vivem.
Uma emoção enorme enche minha alma de sentimentos de amor e solidariedade.
Meus filhos, amados e queridos estão agora com meu marido, também querido, em minha casa, no aconchego do meu lar feliz.
Mas ao mesmo tempo em que eles são felizes, crianças pelo mundo choram e sofrem. Tristes.
E elas são apenas crianças.
E já sofrem tanto!
Nem sei onde encontram forças estes pequeninos.
Torno a olhar as pessoas à minha volta, engajadas nesta causa altruísta.
E, lá no fundinho da minha alma, aparece uma luz de esperança que apaga um pouco esse desgosto enorme que vem e amarga a minha boca enquanto penso nas crianças inocentes, sofredoras e desprotegidas pelo resto desse mundo.
Engraçado... achei que me sentiria deslocada aqui, no meio de todas essas pessoas que nem conheço.
Mas não é assim que estou me sentindo.
De repente, sinto-me como parte de algo que assume, a cada segundo, um significado magnânimo.
E isso me faz sentir algo especial neste momento.
Sorrio. E, de repente, muito surpresa, vejo alguém sorrindo para mim, como que respondendo ao meu sorriso. É uma criança! Mas... de onde ela veio? Mas aqui? É... é mesmo uma criança! Um lindo menino negro, com sorriso nos olhos e na boca. E ele está sorrindo para mim! Que encanto!
Estou sentada na platéia, de frente para a mesa, e o menino está na terceira fileira à frente, de costas para a mesa e de frente para mim. Sorrindo.
Sua pele brilha e ele traz um casquetinho afro na cabeça, branco e azul, combinando com sua roupinha. Ele é lindo! E sorrir para mim torna-o ainda mais lindo!
Eu não o conheço. Mas neste momento, eu o amo.
Ele deve ter uns sete aninhos. Seu olhar tem aquela inocência que só encontramos nos olhos das crianças.
E ele sustenta seu sorriso para mim até que eu também lhe sorrio.
E, de repente, uma outra coisa lhe chama a atenção: é alguém testando o microfone.
Vai começar...

Alguém se posta à frente da platéia e fala.
É o maestro Válter Pini.
Ele trabalha, atualmente, no Projeto Musiconsciência.
Eu nunca o tinha visto pessoalmente.
Vamos ver o que ele vai apresentar.
Nossa! Ele musicou um artigo 227 da nossa Constituição!
Ficou lindo!
E como ele é doce!
Nunca o tinha visto cantar.
Gostei.

Artigo 227 da Constituição Brasileira
"É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao
adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão."


Ele canta e nos faz cantar juntos.
Nos envolve de forma diferente com este artigo.
De repente, um artigo frio, com palavras frias de lei, torna-se uma prece cantada a muitas vozes.
Ele canta e repete várias vezes o artigo musicado e, de repente, ao pronunciar novamente a palavra "criança", ergue levemente os braços e com sua mão esquerda nos aponta o convite que faz: por um dos dois corredores que ladeiam a platéia entram crianças lindas, todas uniformizadas, do Coral Infantil do Colégio Stella Maris.
E junto com Válter Pini, elas cantam novamente o artigo 227.
E transformam uma noite de sexta-feira numa noite enormemente agradável, feliz e esperançosa, como se fosse uma noite de Natal.
No coral, apenas dois guris. Rs... Isso também é notado por mais algumas pessoas, além de mim.
As crianças vão embora mas deixam o clima aberto para discussões saudáveis.
A mesa é composta.

A primeira palavra é a do Dr. Coriolano Aurélio de Almeida Camargo Santos.
Ele atua como advogado, como Juíz do Tribunal de Impostos e Taxas de SP e como Presidente da Comissão dos Crimes de Alta Tecnologia da OAB de SP.
Ele diz que estamos todos aqui, juntos, como pais, pessoas e cidadãos, nos consolidando como pessoas, e corroborando nosso censo de justiça.
Ele se diz uma pessoa inquieta e imagina que por estarmos juntos numa sexta-feira à noite, supõe que inquietações nos cercam a todos.

Logo em seguida fala Dr.Ricardo de Moraes Cabezón.
Ele atua como advogado e como Presidente da Comissão dos Direitos Infanto-Juvenis da OAB de São Paulo.
Diz que este evento é muito especial.
Que lutar por direitos humanos na OAB, a casa da cidadania, torna tudo isso ainda mais especial e significativo.
Dr. Ricardo nos lembra que hoje em dia falamos muito em direitos humanos mas vivemos muito a desumanização;
que a internet, ao mesmo tempo que prova o aumento de nossa tecnologia contra o crime, não o diminui;
mas que diminui-se o calor do gesto, diminui-se a reflexão;
que ela promove, com seus games para as crianças, o "reagir" delas.
Um "reagir" praticamente instantâneo, que promove o agressivo e o brutal.
Ele finaliza sua apresentação contando uma historinha que já contei para os meus filhos, e que diz resumidamente assim:
"Um homem, que leva trabalho para terminar em casa, depara-se com seu filho, que quer sua atenção.
Para despistar o guri rapidamente, que quer brincar com ele, o pai pega um mapa-mundi sobre a mesa e o pica em pedacinhos e o entrega ao guri, dizendo:
-Vai montar este quebra-cabeças e só volte aqui quando terminar.
Achando que o menino vai demorar, surpreende-se quando, depois de alguns minutos, ele volta com o mapa todo montado.
Pergunta ao filho como fez tudo tão rápido, ao que o menino responde:
- É o que está por trás, pai. Atrás do mundo, tem um homem, que eu montei primeiro e depois desvirei. Eu achei que se consertasse o homem, ia conseguir consertar o mundo...
E com essa sugestiva historinha, que nos leva à muitas reflexões, ele chama à palavra o Dr. João Figueiró.

Dr. João Figueiró faz uma breve apresentação de todos e uma pequena introdução, dizendo a que viemos e por quê estamos todos reunidos aqui.
Cita que durante 11 meses, mais de 500 pessoas trabalharam para que este Fórum existisse.
Que este laboratório de pessoas e idéias cria um espaço para aquilo que sabemos fazer melhor, se torne passível de realização.
Agir ou reagir? Agora é hora de agir.
O Fórum visa trabalhar em cima de 4 objetivos, todos voltados para a mesma causa: o conteúdo, a comunicação, a articulação e a captação para que nossas ações tornem-se viáveis.
É uma mobilização política, sim. Mas é importante que se diga que ela é apartidária. Ela promove um amplo diálogo social, a prática da cidadania e os direitos humanos que se referem às crianças, principalmente àquelas de zero a seis anos.
Essa mobilização começa em São Paulo mas visa todo o território nacional, apoiando todas as iniciativas, sejam elas governamentais ou não, que concernem aos direitos das crianças.
Esta mobilização nacional inclui o poder público, o setor privado, os pesquisadores, líderes comunitários e as pessoas de boa vontade.
A reflexão leva à qualidade. E a qualidade, à uma boa mudança.
Alguns fatos já estão aí e são impossíveis de correção.
Mas o comprometimento com o planejamento do futuro é a semente que se deve plantar. Assim conseguiremos transformar com compreensão, entendimento e alegria.
Com pessoas preparadas para classificar todas essas boas práticas nas categorias da saúde, educação, justiça, cultura, este Fórum vem sendo organizado para promover a difusão de todas as boas práticas que, juntas, constroem e solidificam uma enorme e abrangente rede de cooperação.
Rede esta que já existe (http://redecriancaepaz.ning.com/) e que traz em si a certeza prática de todo o cuidado com a qualidade que devemos dedicar à Primeira Infância.
E para nos mostrar o quanto é importante os primeiros anos de vida, o Dr. João Figueiró encerra sua apresentação chamando Esmeralda Ortiz.

Esmeralda é uma resiliente.
Sofreu abuso sexual em casa e fugiu aos 8 anos. Preferiu viver na rua.
Foi criança moradora da Praça da Sé até os 12 anos, dormindo ora ao relento ora no "ventinho" do metrô e sucumbindo a todas as dificuldades de uma vida como esta, tais como a droga, a violência, o abandono, a baixa auto-estima, a desorientação, a miserabilidade e tudo o que faz de uma criança que poderia render bons frutos virar um trapo humano.
Ela conta que já superou a maior parte disso com muitas dificuldades e que já viveu de tudo um pouco.
Que hoje é mãe solteira, escritora e cantora e dá palestras sobre sua vida, para que possa servir de exemplo para as pessoas.
Mas que sempre é tentada a se curvar às drogas (como o crac), que já lhe causaram dependência física.
Seu filhinho está na platéia. Ela aponta para ele.
É aquele menininho que sorriu para mim!! Ela é a mãe dele!
Esmeralda está tensa... gagueja... sua frio...
Entretanto, segue muito bem em seu propósito.
Ela tem um livro publicado pela ed. Ática, chamado "Esmeralda, por que não dancei". E falando de si mesma, brinca com o duplo sentido da frase "é possível lapidar esmeraldas".
E enquanto ela fala, uma senhora que está à minha frente e de costas para mim, fica agitada na platéia, querendo falar alguma coisa.
Mas há o protocolo, que tem de ser seguido; há o atraso com que tudo começou...
Acho que ela não vai falar...
Epa! Quando as coisas têm de acontecer, não tem jeito!
Depois da intervenção de um dos participantes do Fórum, um empresário presente na platéia, ela se levanta e segue até o microfone, depois de ter sido autorizada a prosseguir.
É uma senhora com mais de 60 anos, pequenina, muito bonitinha e com cabelos bem branquinhos.
Quando ela fala, sua voz sai embargada, de tanta emoção.
Ela diz, entre lágrimas sufocadas e parecendo ter um "caroço de manga parado na garganta", que se sente feliz naquele momento e que sua emoção vem do fato dela se lembrar da menina que foi Esmeralda;
que é isso que faz com que ela tenha a certeza de que tudo o que ela faz e tudo pelo que luta, faz sentido e vale à pena;
que ter encontrado Esmeralda ali, quando nunca poderia imaginar acontecer, é uma grande recompensa da vida e a prova maior de que todo o trabalho que ela realiza vale à pena e gera bons frutos.
Essa senhora chama-se D. Tina Galvãoe trabalha com a Ação da Cidadania contra a Fome e a Miséria e Pela Vida!.
Essa ação, que tenta combater a fome e a miséria já existe há 17 anos e surgiu com o Betinho, no Rio de Janeiro.
O foco do trabalho de D.Tina é a alimentação, mas o trabalho dela envolve também a sensibilização e a mobilização social contra isso tudo.
Os projetos "Criança é pra Brincar... e pra Ler" e "Natal sem Fome", são filhos de D. Tina Galvão, esta pequenina grande mulher.
O Presidente Lula assina em São Paulo, na semana do dia 25 de agosto, o decreto que torna Lei e que garante o serviço único de atendimento à alimentação como um direito! Agora, alimentar é lei!
Isso talvez facilie um pouco o trabalho que D. Tina realiza, tão bonito.
Mas apesar de ser tão bonito, eu sei que a sede onde ela realiza com seu grupo todo este trabalho foi tomada pela Prefeitura.
Essa Ação na qual trabalha não tem renda nem apoios fixos, por incrível que pareça.
No Rio de Janeiro a Prefeitura, além de apoiar financeiramente, inda disponibiliza um grande galpão para que o trabalho de Betinho perdure entre as comunidades.
Mas aqui em São Paulo as coisas não acontecem.
Para a D. Tina, além de todas as dificuldades que enfrenta para realizar o bem, falta-lhe, agora, o espaço físico, mínimo necessário!
Neste Fórum sobre a Primeira Infância, a presença de D. Tina e o que aconteceu entre ela e Esmeralda, transformou-se num momento muito especial para todos os presentes.

E assim que D. Tina volta ao seu lugar, e enquanto todos ainda estamos emocionados, entra, então, a palavra de Liliane Penello.
Ela coordena o Projeto "Estratégia Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudáveis".
E começa nos dizendo que o Ministério da Saúde, hoje, nada mais é do que o Ministério da Doença!
Que é preciso humanizar as relações entre os profissionais e cuidadores do SUS.
Isso só fortalece a vida e a qualidade dela.
Liliane diz que não há equilíbrio na área da Saúde.
E que há necessidade de que se cuide também da saúde mental, juntamente com a saúde do corpo.
Daí a importância de se trabalhar no início da vida, principalmente dos zero aos 6 anos.
A importância da mãe ou do cuidador da criança e deste vínculo entre um e outro é a base do emocinal.
Ela diz, com toda a razão, que isso é tarefa do Estado!
Não se trata de ensinarmos aos pais como devem ser bons pais, diz ela.
Mas é importante que haja um suporte para que os pais tenham um lar comum, democraticamente articulado com a comunidade.
E Liliane encerra seu discurso.
Eu percebo que ela está bastante abatida e que controla em demasia sua empostação de voz para não tossir.
Não é sempre que ela consegue, e sua tosse, que escapa entre uma palavra e outra revela para mim seu esforço enorme e firme em fazer neste Fórum aquilo a que veio.
E ela faz isso muito bem, demonstrando uma força de realização enorme, tanto nos resultados apresentados dos trabalhos que vem desenvolvendo quanto na sua postura de não se deixar abater por um forte resfriado.

E entra, então, com a palavra, Dr. Guilherme Schelb.
Ele é Procurador da República, Mestre em Direito Constitucional, Especialista em Segurança Pública e idealizador do Programa Proteger, que significa Programa Nacional de Prevenção da Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil.
Sua primeira frase, depois do "boa noite": "A vida não se resume ao que a lei diz!" Por conta disso, ele explica que o Programa Proteger foi criado para ir direto ao problema, criando estratégias que trazem soluções e resolvem de fato os problemas específicos de cada pessoa e/ou lugares.
Às vezes não é a sociedade que tem o problema, mas um delegado, por exemplo, que não tem preparo nem orientação para suprir e resolver questões das mais diversas, por mais simples que sejam.
A lei é uma só para todos, mas o Brasil é muito diversificado.
A proposta dese programa é tornar dinâmica a solução dos problemas e ele se molda de acordo com as diversidades às quais se depara.
Ele se torna necessário eestratégico porque muitas vezes não basta que o Estado cumpra seu dever.
Há outras coisas para as quais devemos estar atentos e que devemos levar em consiferação.
Dr. Guilherme nos mostra, então, um trecho de filme que aborda a pedofilia.
É um momento de muita dor para todos, porque todos somos, naquele momento, aquela criança, vítima do padrasto pedófilo.
E Dr. Guilherme aproveita esse momento em que todos nos sentimos comovidos para nos chamar à importância deste assunto.
E também para nos prevenir que este Programa nos treina para que reconheçamos, no olhar da criança, a dificuldade que ela enfrenta.
Ele nos diz que o olhar é a primeira coisa que muda, nela.
Cita, apenas para ilustrar, que na Holanda, um país considerado de primeiro mundo, há um partido político que defende a pedofilia entre homens e meninos.
Que se os adultos forem capazes de promover prazer nas crianças, eles se vêem no direito de exercerem a prática da pedofilia.
É diante de abusos como estes, de deformações morais como esta, que o Programa Proteger auxilia nisto que, dadas todas as diferenças culturais, éticas e sociais, consideramos um flagelo humano.
Ele cita, ainda, que muitas vezes os pais ou padrastos "brincam" de sexo com filhos e enteados e que muitas vezes as crianças nem se dão conta de que isso não se trata de uma brincadeira.
Como podemos ver, diz ele, não basta, apenas, que o Estado faça a sua parte.
O Dr. Guilherme se preparou para uma longa palestra e trouxe bastante material visual.
Mas o tempo foi curto e ele não teve tempo de terminar e de mostrar tudo quanto preparou.
Mas apesar disso, seu discurso foi rico e contundente.
Protocolos... quando a briga é contra o tempo, este sempre leva a melhor.
Em seu lugar, a mesa chama, agora, Marcia Mamede.

Marcia Mamede é Secretária Executiva da Rede Nacional pela Primeira Infância.
E nos diz que trabalha com três proposições básicas em seu movimento em prol da Primeira Infância: a organização, a perseverança e a proposição.
Emocionada, nos conta como foi que tudo começou... como é que foram inseridos em nossa Constituinte os direitos das crianças, depois de uma árdua luta.
Marcia comenta que hoje em dia falamos mais "na criança" do que "no menor" e considera isso um grande avanço.
É preciso que haja organização social;
uma mobilização para se planejar, atuar e avaliar;
uma participação com caráter construtivo, com propostas positivas de soluções;
e que, acima de tudo, faz-se necessária uma atitude amorosa, decidida e perseverante com relação a tudo o que concerne a esse assunto.
Quando falamos em algum compromisso com a criança, não podemos esperar, diz ela.
E encerra lindamente sua apresentação com uma frase que escolheu de Mário Quintana (estou na dúvida se é dele mesmo...)e que diz assim:
"Saiamos daqui olhando as estrelas. Elas são como as crianças: brilhando e iluminando o nosso caminho".
Marcia parece ser uma pessoa extremamente amorosa.

Entra novamente a palavra de João Figueiró, que faz, agora, uma explanação mais detalhada de todo esse movimento, num epílogo deste nosso encontro, onde o último a falar será o Ministro Vannuchi.

Figueiró começa nos lembrando que a infância é um tempo pelo qual passamos e pela qual passam as nossas crianças de hoje, tempo este em que não temos voz política nem social. Por isso elas precisam de nós, o adulto, defendendo seus direitos.
Ele afirma que crescer com direitos significa crescer em direitos.
E nos conta que a OAB de São Paulo se compromeu em alastrar este Fórum por todas as OABs do Brasil.
Uma enorme contribuição para a disseminação destas idéias e deste trabalho.
O Dr. João Figueiró diz que, segundo pesquisas americanas recentes, para cada 1 dólar investido na Primeira Infância, o retorno é de 9 dólares. E quanto maior for a faixa etária, maior o retorno. E que, portanto, não é inteligente para qualquer nação do mundo, deixar de investir na criança durante os seus seis primeiros anos de vida.
Ele nos fala da importância de todo esse trabalho, e lembra-nos, parafraseando, que nosso partido é a criança, não a criança partida.
Cita que uma pesquisa feita pela Harvard prova que uma criança, vítima de violência nos primeiros anos de sua vida, desenvolve-se mal durante a infância e apresenta retardo mental.
Já no seu terceiro ano de vida ela apresenta malformação neurológica.
As áreas de raciocínio frio são majoradas e as áreas do raciocínio moral são diminuídas, o que, ao meu ver, é profundamente assustador.
Cuidados são prementes.
Mudanças, urgentes!
Ações, necessárias!
Este Fórum visa obter o melhor em cada um de nós, como família, sociedade e Estado que somos, em prol da criança em sua Primeira Infância, que vai dos zero aos 6 anos. Fase esta que se traduz em prioridade absoluta e que, portanto, é absoluta prioridade.
Não é uma tarefa fácil mas não por isso deva ser abandonada.
É uma tarefa a ser realizada por longos 30 anos, pelo menos.
É necessária uma rede que integre todo o eixo das prefeituras e municípios brasileiros, o que já existe (http://redecriancaepaz.ning.com/)
João Figueiró termina seu discurso pedindo ao Ministro que se comprometa na afirmação, apoio e continuidade de todos os trabalhos que este Fórum traz e apresenta. E lhe passa a palavra.

Entra, então, a voz do nosso então Ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo de Tarso Vanucci.
Muito preocupado, ele se compromete e promete ajudar neste trabalho, elogiando e aprovando o que viu lhe ser apresentado nesta noite.
Simpaticamente ele cita que tem uma filha de 11 anos lhe esperando em casa e que realmente a criança deve ser sempre uma das prioridades no cuidado de uma Nação.
Ele questiona: por quê não juntar os trabalhos apresentados neste Fórum a outros que já existem e que visam também a criança, ao invés de investir neste novo grupo que se forma, com 500 ou mais pessoas trabalhando...
E ele mesmo responde a isso, dizendo que muitas propostas se perdem pelo caminho e são descontinuadas. Mas que ele vê que este grupo está coeso, trabalhando há mais de um ano em todas as frentes, e é por este motivo, pelos resultados apresentados e pelo esforço demonstrado, e também por estar de acordo como pessoa e representande do Estado que ele vai dar o seu apoio naquilo que puder e estiver ao seu alcance.

E coroando todos os trabalhos apresentados, os discursos e propostas, a noite é encerrada com uma linda apresentação da cantora Normah, que interpretou "Canção Semente de Estrelas".

Volto para minha casa na calada da noite, só, pensativa, um pouco assustada mas ao mesmo tempo, esperançosa.

Chego quase à meia noite e meu marido e meus dois filhos não foram dormir, me esperando.
Ao olhar para eles e sentir o amor deles, tive apenas uma certeza: sou privilegiada. E penso que todos merecem este mesmo privilégio.
Para tanto, só há uma coisa a fazer, portanto:
vamos à luta!!!!!
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