1 de out de 2008

O que eu acho de paninhos

O Paninho e o Tempo



Ao nascermos, o médico ou a parteira nos envolvem num paninho para manter nosso corpinho aquecido.



Ao crescermos, nossa mãe, avó,tias, madrinhas e outras queridas sempre nos presenteiam com roupinhas que muitas vezes são costuradas por elas mesmas.



Às meninas lhes é reservado o direito de terem uma boneca de paninhos.



Quando nos engajamos socialmente, as roupas que usamos espelham o momento histórico em que vivemos, as escolhas que fazemos, as cores que gostamos, as nossas origens e muito do que pensamos.
Algumas mulheres escolhem ser sexys...



outras mais sisudas.



Há as que ficam por debaixo das burcas.



O paninho nos remete, também, ao nosso interior.
A uma certa altura de nossas vidas percebemos que o que vestimos nem sempre reflete aquilo que somos.
E que a sofisticação deve surgir de dentro para fora.



As roupas, feitas de paninhos, podem ser usadas como oferendas simbólicas: eu vou me vestir bem bonito para ir à sua festa, uma data tão importante.





No encerramento de uma vida, as pessoas que amam as que enterram sempre as vestem com a roupa que elas mais gostavam. Roupa feita de paninhos. E vestem-se de luto, expressando na roupa a tristeza interior. E para simbolizar mundialmente o luto, outro paninho: a fita preta.



Muitas noites de nossas vidas, enquanto sonhávamos, nossa mãe ou outra amada vinha nos cobrir... com paninhos



Nos nossos momentos de amor, dividimos o calor dos nossos corpos com os lençóis,



edredons, colchas... todos feitos de paninhos.



Quando choramos, sempre há um lenço amigo para nos confortar... feito de paninhos.

Nossa bandeira nacional...



...a bandeira da pátria em que nascemos;





a bandeira de nosso time...



o time que tanto amamos;



a bandeira de nossas causas, as causas que defendemos...




É nas faixas de panos que pedimos o apoio de pessoas que não conhecemos quando perdemos um animalzinho, um filho, quando gritamos por socorro ou simplesmente, quando agradecemos uma graça recebida... E também é nos paninhos que podemos encontrar uma das maiores poucas-vergonhas: o abuso insano do poder.



todas, faixas feitas de paninhos.

As múmias que sobreviveram através dos tempo são descobertas pelo mundo todo, sempre envolvidas em paninhos. Delas, muito pouco. Mas os paninhos continuam lá, firmes, atravessando os dias, meses, anos, décadas, milênios....

Jesus Cristo deixou a marca do seu rosto triste NO Santo Sudário...em um paninho.



Maria traz sempre consigo um manto sagrado...feito de paninho.



As mulheres são seres especiais.
Como é que, sendo especiais, poderiam virar as costas aos paninhos, se eles trazem em si tanta riqueza, tanta história e tantos segredos?
Unir paninhos faz parte da vida da mulher, desde que nasce.

E isso é mundialmente cultuado e perpetuado, de nação em nação, de cultura em cultura,




de geração em geração.



Mulheres camponesas levam seus filhos à lavoura


e trabalham com seus filhos às costas, presos em paninhos...



Paninhos... os paninhos contam tudo. Neles estão muitos segredos,



muitas histórias, muitas lembranças...



com eles, artistas têxteis podem sacralizar sua expressão artística e todo o momento histórico em que vivem;



E quando são premiadas, seus trabalhos recebem a mais honrosa das menções: uma roseta de pano! Não importa o prêmio... mas a roseta...ah...esta tem de estar lá, pro artista olhar pra ela sempre!



Com os paninhos muitas mulheres podem produzir calor nas mantas que fazem para doar a quem precisa: transformam simples paninhos em retalhos de alegria.



E podemos fazer caridade, participando de campanhas que agasalham a quem tem frio;



com os paninhos é possível encontrar o centro de si mesmo: no agasalho, na expressão, no presente recebido,



no presente escolhido para dar,



na homenagem, na dor, em tudo...
Presentes sempre vêm embrulhados, trazendo as surpresas. E quem é que faz o laço que enfeita este prazer inesperado? A fita...feita de paninho.



Em todos os momentos importantes ou banais de nossas vidas, lá está o paninho.

P de paixão
A de amor
N de necessidade
I de inesquecível
N de namorar
H de harmonia
O de obra-prima

Muita poesia poderíamos fazer com as letras que compõem os paninhos.

E agora, uma "Associação de Maridos" fundada pelo Alemão, marido da Ada Ritter, uma das nossas melhores expressões na Arte Têxtil brasileira, do Rio Grande do Sul e minha amiga.



Vejam no blog dele:

.http://tudomuda.spaceblog.com.br/245340/Patchwork-Nada-sera-como-antes-amanha/posted/#comment

Até a atenção dos maridos o paninho consegue atrair. É algo que vai além do churrasco, do futebol e da profissão deles: é algo nosso que mexe com eles.
Os psiquiatras deveriam usar paninhos na terapêutica.
Terapia com paninhos. Nada mais encantador. E nada mais envolvente. Antes de começar, já posso até antever: sucesso absoluto com resultados inesperadamente maravilhosos!

Ah... os paninhos.....
Paninhos de todas as cores,



todas as texturas,



todas as nacionalidades, todas as épocas....

Integração do bicho com a seda....



do homem com a arte... da história com a vida....
Paninhos!!!!!!

Nos paninhos, todas as respostas.... sempre. De sempre ... Pra sempre... sem cessar...a qualquer tempo... de maneira definitiva.
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