18 de nov de 2017

TRANS

Trans, no Dicionário, é um prefixo latino que significa algumas coisas: além de, para além de, em troca de, ao través, para trás, através.
 
Portanto algo que, da forma como interpreto, é algo que não estático. 
           
Algo que não se situa no tempo por estar em movimento, deslocamento, (desenvolvimento?).
           
Algo que, quando você acha que pertence a este instante, é pretérito. 
           
Igual os segundos que envolvem toda a nossa existência.
 
Hoje em dia muito se tem discutido acerca do que é ou não é arte. 
Essas questões todas que envolvem essa questão maior surgiram junto com a internet, que chegou modificando tudo o que tínhamos como referências. 
             
Hoje as coisas acontecem com muita velocidade porque o acesso a tudo o que se faz é enormemente abrangente                                     
É possível, por exemplo, alguém começar uma pesquisa aqui e outro já conseguir chegar ao resultado dela lá do out                                 
Indagações e descobertas em tempo record e acessível a todos.
                                                                                       
Muito de muitos processos são otimizados e a arte não fica à parte disso, pois sendo a voz da expressão humana, sempre acompanha tudo, em todos os lugares, o tempo todo.                       
Recentemente fui convidada para atuar como artista. 
Como venho exercendo a função de Curadora há anos, fiquei muito feliz em ter a oportunidade de voltar a me expressar através de materiais que adoro, como fios, tecido  e pedras.
                   
A exposição para a qual fui convidada trouxe uma temática que, logo de cara, já me instigou: "Valorizando a Arte".
A curadoria foi de Roko Brasil, um cara cheio de títulos e que parece, para mim, fazer juz a cada um deles, pois trabalha pela arte como discípulo incansável, defendendo o direito do artista exibir o que faz e dizer o que pensa, conjectura, elucubra.
                   
Meu trabalho têxtil dividiu o espaço expositivo com muitos artistas: alguns em processo de aprendizado, outros bem profissionais, uns comuns e outros de raro talento.
                       
Todos passeando pela arte através da escultura, da pintura, das palavras que escrevem nos livros, da fotografia, da gravura, do mix.                       
                          
Como eu não produzia nada significativo há muitos anos, e como esse grito estava parado em minha garganta, era preciso eu voltar, renascer... 
E TRANS nasceu. 
E me fez renascer. 
E hoje é um dos trabalhos mais importantes de minha trajetória, pois marca a minha volta ao processo criativo, que tanto aprecio fazer, independentemente do resultado ser bonito ou não (mesmo porque, o conceito do belo é algo que suscita diferentes questionamentos e muita sabedoria).
                    
TRANS é o nome que dei a este trabalho:
  


Esta obra nasceu da minha necessidade de falar sobre arte, hoje. 
No quanto são trans, tanto a arte como a obra. 
No quanto o fato de permanecer nesse espaço de tempo trans ela pode ser tanto isso como aquilo...
Poder estar tanto aqui como ali, poder agradar tanto ou desagradar por demais, poder ser algo que não permaneça como algo que fique para sempre, poder ser arte, ou não.
Na verdade, e sob o olhar da minha verdade, o que importa? 
Quanto isso realmente importa? 
Qual o significado? 
O que temos/podemos/devemos de fazer com isso? 
Onde isso nos leva? 
O que conseguimos? 
O que fica? 
Fica? 
Serve pra quê? 
Vai pra onde? 
Talvez essas questões tragam as respostas que andam procurando para explicar o que é Arte, hoje. 
Eu, de minha parte, me importo apenas  com a produção dela. 
O nome que vão dar não me preocupa, nem incomoda, nem me aflige. 
Porque o simples fato da existência da obra como materialização viva de um pensamento criativo que me passou pela cabeça e que somente eu tinha acesso antes, só isso já me faz sentir aquele prazer inenarrável que se sente quando se está feliz com algo que fez.

9 de out de 2017

Arte e Censura

Eu me dispo de todo o julgamento ignóbil e insano,
de todo o ódio barato,
toda a ignorância violenta,
falsa sabedoria,
moral construído sobre castelos de areia, 
E da fé infame, que não respeita.
Eu me dispo de tudo o que me habita
e que me chega do outro.
Sou livre!
E minha inefável vestimenta é tecida com LIBERDADE!
Viva a mãe que vai para a direita!
Viva a mãe que vai para a esquerda!
Direção não importa, há muitos caminhos
e todos são do mapa.
Viva o Cristo diferente:
o desenho dele não vai mudá-Lo!
Que venha um Censor e muitos ativistas...
"artivistas" e artes vistas.
Temos muitos doutores...
mas poucos se salvam de si mesmos.
(Cíça Mora)


13 de set de 2017

Censura


Tenho um bordado intitulado 

A Letra "C" tem Meu Nome

É esse aqui: 



"C" de Cíça, de Cecília, de cedilha, de calor, de carinho, de cereja, cacau e carambola... "C" de cachoeira, de caligrafia, de calopsita...
tantos "C"... inclusive "C" de Censura. 
Censurar(Censura)é restringir a liberdade e o conhecimento sobre determinados conteúdos(compulsório).


Isto quer dizer que há dois lados, como sempre: de um lado, alguém controla e do outro, alguém é submetido ao controle(conflito).
O problema sempre está em quem regula, em quem condena, em quem interdita, em quem restringe, em quem suspende, em quem suprime, em quem intimida (coersitivo). 
Conjugar todos esses verbos é sempre arbitrário e quem detém o mando sempre visa seus próprios interesses, em detrimento dos demais(concupiscência, cálice, cale-se).
Se conteúdos não podem ser mostrados e discutidos, isso significa que quem viu, conheceu e proibiu, detém a informação e, claro, a soberania(conveniência)
Portanto, a censura mantém o pensamento e o status de quem impera (constância)
Se um lado tem a força, o que se conclui é que o outro fica completamente descoberto, em desvantagem e, indiscutivelmente, sob o controle de que detém o domínio(camadas)
E isso não é bom, pois quando a base social não é igualitária, e quando uns se sobrepõem aos outros, as diferenças aumentam, os problemas se multiplicam, as tensões surgem, a tolerância baixa e todo esse erro se firma como verdade irrefutável(complexidade, confusão).
Na História do Brasil a censura acontecia abertamente na época da ditadura militar, quando conteúdos de arte de todas as categorias eram proibidos: letras de músicas, livros e textos usados em teatro e nos meios de comunicação, como rádio, TV e jornal. Naquela época a censura não vinha sozinha: vinha acompanhada de prisões, de exílios (castigos).
E da mesma forma que ela anda sempre em má companhia, uma das suas mais fortes inimigas é a mudança(conhecimento).
Dar às pessoas acesso às informações as empodera e as leva às discussões, às reflexões, às transformações e tiram o pensamento e a decisão delas do ostracismo, obrigando-as a se expressarem e se colocarem diante dos fatos, sem medo de represálias(construção)
Infelizmente eu não vejo as pessoas livres da censura, hoje. Ao contrário!(cela,cadeia,correntes).
Hoje em dia os meios de comunicação manipulam a opinião pública, de forma que a censura aparece vestida com outra roupa(corrupção).
Mas está ali, encoberta ou travestida, mas presente e fiel ao seu patrão(conspiração).
Os meios de comunicação, em nome de "proteger" o público, submetem artistas e intelectuais ao controle, corrosivo e dominante(chafurdar).
E o público segue assistindo às novelas e aos jornais tendenciosos, que explicam os fatos como se cada um do outro lado da tela fosse incapaz de pensar por si mesmo(cegueira)
A Censura sempre está lá. 

Mesmo depois de tudo o que aprendemos e depois de toda a história que escrevemos ela ainda se faz presente e aparece, ainda hoje, sempre batendo de frente com a Arte(cíclico)

Quando artistas abordam temas que ferem os princípios dominantes, sofrem as consequências: suas exposições são canceladas ou encerradas enquanto ainda estão acontecendo(constrangimento, caraaambaaa!
E em nome da preservação da visão intransigente de mundo de quem detém o poder, todo um conteúdo artístico é distorcido e impedido de ser visto e amplamente discutido(colapso,cachorrada).
E a obra passa a ser ré, sofrendo um julgamento, ao invés de ser um canal através da qual surja a mudança, a transformação(comprar, continuar). 
"C" de contradição!

Abaixo, algumas das 264 obras da exposição censurada e cancelada pelo Santander.

Independentemente do que representam todas estas obras e de cada significado que elas trazem consigo (principalmente o da dúvida: é arte?), o que precisamos defender são os direitos de uma obra de arte: poder estar lá e não ser proibida e escondida do público. (Conceito)
Reafirmo: não se trata de preservar o "bem". Trata-se de preservar-se "o direito" (COMUM).


 Adriana Varejão





 Fernando Baril

 Fernando Baril

 Flávio de Carvalho

 Leonilson

 Marcos Chaves


 Pedro Américo

 Roberto Cidade


 Silvio Giordani


 Bia Leite

 Bia Leite

 Cibelle

 Scandelari


 Marcos Chaves

 Röhnet 






 Sandro Ka



 Angelina Agostini
Hudnilson Junior


 Sandro Ka

 Lygia Clark














  Matheus Yehudi